terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Diário de uma viagem à Polónia

 



Em pleno inverno, este ano particularmente rigoroso, iniciei, com um grupo da Moita, uma viagem fantástica a Cracóvia e Varsóvia.

À chegada a Cracóvia, fomos imediatamente envolvidos por um ambiente mágico. A neve abundante, algo pouco habitual para nós, portugueses, cobria a cidade histórica, com os seus edifícios coloridos, ruas empedradas, a praça medieval, jardins totalmente brancos e um castelo encantador com uma vista magnífica sobre o rio Vístula. Tudo parecia saído de um postal ilustrado.

Visitamos igrejas lindíssimas, onde a devoção e o catolicismo se manifestam de forma profundamente enraizada na população. Sentia-se uma fé viva, presente em cada pessoa que por ali passava.

Passeámos e jantámos no típico bairro judeu, onde escutei histórias marcantes sobre o extermínio do povo judeu. Estes acontecimentos no bairro também deixaram ali cicatrizes profundas. Ao jantar, provei pratos típicos judaicos e bebi um belo vinho de origem judaica, muito bom, surpreendentemente semelhante aos nossos vinhos portugueses.

Vivi também um dos dias mais intensos emocionalmente ao visitar Auschwitz e Birkenau. Lugares de silêncio, de dor e de profunda reflexão sobre as atrocidades cometidas. Saí com um sentimento de respeito e memória difícil de traduzir em palavras. Fiquei completamente em silêncio e pasmado com tanto horror praticado. Deixo um conselho, visitem estes campos de concentração. É uma experiência que marca para sempre.

Visitamos ainda a casa onde viveu São João Paulo II e a igreja onde foi batizado. A casa está hoje transformada num museu extraordinário, que nos permite conhecer melhor a vida e o percurso de uma das figuras mais marcantes da Igreja Católica.

No Santuário de São João Paulo II vi a batina que João Paulo II usava quando sofreu o atentado na Praça de S. Pedro em 13 de Maio de 1981, com os sinais do tiro e as manchas de sangue.

Fomos também às famosas Minas de Sal, na época, grande propulsor da economia da região. Naqueles imensos caminhos subterrâneos, os mineiros polacos construíram autênticas obras de arte em sal, como esculturas, capelas, etc. Trata-se de um local Património Mundial da UNESCO.

Importa recordar que Cracóvia não foi destruída pelos ataques alemães, conservando assim grande parte da sua traça original anterior à guerra. Tive ainda a oportunidade de assistir a um nevão intenso que transformou ainda mais a cidade num cenário verdadeiramente mágico.

Seguimos depois para Varsóvia, a grande capital da Polónia, completamente reconstruída no pós-guerra. A cidade foi praticamente destruída pelos bombardeamentos alemães, mas renasceu com a determinação que se reconhece a este povo. Hoje apresenta duas faces distintas, por um lado, uma cidade moderna, com arranha-céus e edifícios imponentes que fazem lembrar os grandes centros financeiros europeus, por outro, a cidade velha, meticulosamente reconstruída, onde impressiona o detalhe e o rigor histórico com que tudo foi recuperado.

Numa das noites, jantámos num restaurante muito típico, onde a refeição foi animada por danças e cantares tradicionais polacos. Alguns de nós ainda se aventuraram a participar em pequenos jogos e danças típicas, proporcionando momentos de grande diversão e boa disposição. Foi um serão verdadeiramente alegre, que nos permitiu contactar de forma mais próxima com a cultura e as tradições locais. Foi especialmente divertido.

Fiquei particularmente impressionado com o imponente símbolo deixado pelos soviéticos, hoje o palácio da cultura e ciência, grandioso na sua arquitetura, mas profundamente controverso para os polacos, que guardam memórias pouco simpáticas, também desse período da sua história, entre 1944 e 1989.

Deixou-me também impressionado a resiliência deste povo, que tendo vivido mais de 100 anos sem pátria, a Polónia esteve dividida por três países, conservou a sua identidade, costumes, tradições e em especial a sua língua.

Foi, sem dúvida, uma viagem marcante, rica em história, fé, memória e magia.

Obrigado aos amigos que organizaram a viagem e a todos que partilharam connosco estes dias.

Vitor Carvalho

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

O DIOGO FOI PARA UMA ORDEM RELIGIOSA

 


Este tempo sem o Diogo por perto, embora bonito e desafiante para a família, tem sido, emocionalmente, difícil de gerir.

Depois de algum tempo fora do seminário, em que a sua saúde lhe pregou uma pequena partida, há alguns meses regressou, agora para uma Ordem Religiosa, a Companhia de Jesus ou a chamada “Ordem dos Jesuítas”.
Este período de afastamento do Diogo que será longo, em particular do mundo familiar, não tem sido nada fácil de gerir cá em casa. Embora tentando ser os mais fortes possível, a família tem sentido muito a distância e tem doído a sua separação deste nosso núcleo mais próximo.

Apesar de percebermos que este recolhimento e esta distância são essenciais para um crescimento interior e pessoal, em todas as vertentes humanas, este caminho tem-nos marcado profundamente e, de forma muito honesta, está a ser muito mais exigente do que os tempos do seminário do Patriarcado de Lisboa.

Não sabendo exatamente o que lhe vai na alma, suponho, no entanto, que este afastamento da família e dos amigos, associado a um recolhimento natural, também o estará a marcar de forma profunda, mas genuinamente positiva.

Vivemos, assim, um certo paradoxo interior, custa-nos a distância física, mas, ao mesmo tempo, sentimos uma proximidade espiritual ainda maior. Sentimo-nos próximos e unidos ao Diogo e à sua comunidade de uma forma nova.

A oração tem sido a nossa força, tem sido a forma de colocarmos os nossos corações muito próximos dele e da sua comunidade.

Rezem também por eles.

 

Vitor Carvalho

Diário de uma viagem à Polónia

  Em pleno inverno, este ano particularmente rigoroso, iniciei, com um grupo da Moita, uma viagem fantástica a Cracóvia e Varsóvia. À cheg...