CRÓNICAS
ESTES TEXTOS SÃO PARTICULARMENTE DEDICADOS À FAMILIA E AOS AMIGOS. ESPERO QUE OS LEIAM, APRECIEM E QUE EVENTUALMENTE VOS POSSA SERVIR DE REFLEXÃO. TODOS ELES FORAM ESCRITOS A PENSAR EM ALGUÉM.
quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Eu também faço parte destes 170 Anos
sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Os Homens Também Rezam - Espiritualidade
Esta quinta-feira, no encontro “Os Homens Também Rezam”, tivemos o privilégio de contar com o nosso amigo, Professor Carlos Carvalho, que nos conduziu numa reflexão sobre a espiritualidade e a caminhada interior de cada homem ao longo da vida.
Foi um momento de partilha, reflexão e crescimento, que nos recordou que todos somos peregrinos no tempo, num caminho feito de experiências, encontros, dúvidas, fé e procura de sentido.
À palestra seguiu-se um tempo de silêncio e recolhimento e, depois, um momento de oração.
Terminámos já num registo mais descontraído, brindando como habitualmente com moscatel e partilhando algumas canções.
Ao nosso amigo Carlos Carvalho, o nosso sincero agradecimento pela disponibilidade, pela amizade e, sobretudo, pelas reflexões que conosco partilhou e que certamente levaremos para o nosso caminho.
Homem que reza não caminha sozinho. 🙏
Vitor Carvalho
quarta-feira, 7 de outubro de 2026
Sevilha, a cidade, onde a fé também é intensa…
Como tenho a minha filha mais nova a viver em Sevilha, ao abrigo do programa universitário Erasmus, agora vou visitando esta cidade várias vezes e com olhos um pouco diferentes do passado, em que fui apenas fixado na festa…
Encontrei nestas últimas visitas a Sevilha, uma parte da cidade que já conhecia, uma cidade fantástica, intensa, bonita, cheia de história, de sons, de sol e de lugares emblemáticos, mas agora encontrei também uma outra Sevilha, essa não conhecia, é mais silenciosa e recolhida, que se revela particularmente quando se entra numa porta, das inúmeras e lindas igrejas desta cidade.
Foi, talvez, aí que a cidade mais me surpreendeu.
Entre ruas movimentadas, praças cheias de vida e edifícios que fazem parte do imaginário de qualquer um, fui entrando em várias igrejas e em cada uma delas havia uma presença que se repetia de forma quase inevitável, Nossa Senhora.
A devoção mariana em Sevilha sente-se, não é apenas uma imagem colocada num altar ou uma figura entre tantas outras, é uma presença profundamente integrada na identidade religiosa e cultural da cidade. Nos altares, nas capelas, nas imagens colocadas nos edifícios, no próprio rosto das imagens e no cuidado com que cada espaço é preservado, percebe-se que existe uma fé que atravessou gerações.
Há algo de particularmente especial nestes locais.
Depois do ruído das ruas, dos bons petiscos, das praças e edifícios lindíssimos e da animação própria de Sevilha, entrar numa igreja é como atravessar uma fronteira invisível. A luz muda, os sons diminuem, o olhar demora-se nos detalhes e, quase sempre, lá está Nossa Senhora, recebendo quem entra.
Algumas imagens impressionam pela riqueza dos mantos e das coroas, outras pela expressão serena, outras pelo olhar de Nossa Senhora, todas parecem contar uma história. Uma história de fé, de promessas, de agradecimentos e, talvez, também de pedidos feitos em silêncio.
É impossível visitar Sevilha sem sentir a força desta dimensão religiosa, onde a cidade possui uma ligação muito particular à Igreja e às suas tradições, e isso manifesta-se não apenas nos grandes monumentos, mas também nos pequenos detalhes que vamos descobrindo quase por acaso.
Tudo em Sevilha parece ter uma intensidade própria, a fé é intensa, a arte é intensa, a música é intensa e a festa também é intensa.
As fotografias que acompanham este texto mostram apenas uma pequena parte do que encontrei. Em especial, são reflexos dos interiores de algumas das igrejas visitadas, dos seus altares, das suas imagens e, em particular, dessa presença mariana que tantas vezes me fez parar e olhar demoradamente.
Agora, naturalmente, não podia falar de Sevilha sem falar da sua ligação aos toiros e ao flamengo. A tradição tauromáquica faz parte da história e da cultura da cidade, e a Real Maestranza, é assim que se chama essa enorme praça de toiros, é um dos seus lugares mais emblemáticos e não pode deixar de ser visitado.
Sevilha ficou-me assim na memória…
Vitor Carvalho
sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Voltar às rotinas...
As férias e as festas terminaram, a rotina regressa.
O trabalho, as responsabilidades, a família, as atividades, os compromissos, as preocupações… Tudo aquilo que, há uns tempos, talvez me parecesse demasiado, hoje, olho para tudo isso de uma maneira completamente diferente.
Depois de um período particularmente difícil, em que estive internado e alguns desses dias foram passados nos cuidados intensivos, voltar às rotinas ganhou um significado imenso para mim.
Voltar a levantar-me para ir trabalhar, voltar a ter horários, voltar aos compromissos, voltar às “chatices do dia a dia”, voltar às atividades, voltar a encontrar pessoas, voltar a fazer desporto, voltar a ter coisas para fazer e lugares onde estar, coisas tão simples e tão normais, é mesmo muito bom.
Quando a saúde nos obriga a parar, percebemos que aquilo que tantas vezes chamávamos de “rotina” era, afinal, um privilégio.
Confesso que antes não lhe dava grande valor, por vezes, até me deixava stressado e cansado de ter tantas coisas para fazer.
Pensava: “Outra vez o trabalho… outra vez os horários… outra vez isto, outra vez aquilo…”
Hoje, dou por mim a agradecer por essas mesmas coisas,
porque voltar à rotina significa, para mim, voltar à vida.
Significa ter saúde suficiente para trabalhar, ter forças
para cumprir compromissos, ter pessoas à minha volta, ter planos para amanhã,
ter uma vida que quero viver e aproveitar.
Talvez seja esse um dos maiores ensinamentos que esta experiência me trouxe, e que gostava de partilhar com os meus amigos.
há coisas que só aprendemos a valorizar quando temos medo de as perder.
Hoje, quando o despertador toca, tento não pensar apenas que
“é segunda-feira” ou que “já tenho de ir trabalhar”.
Penso, que bom poder levantar-me, que bom poder trabalhar,
que bom ter uma família, que bom ter responsabilidades, que bom poder voltar à
minha vida, que bom ter rotinas.
A rotina que antes me cansava, hoje conforta-me.
Porque, depois de estar num lugar onde cada dia podia trazer uma notícia diferente, ter um dia normal passou a ser uma bênção.
Por isso, se hoje estás a reclamar da rotina, talvez valha a
pena parar por um instante e olhar para ela de outra maneira.
Talvez aquilo que te parece pesado seja, afinal, uma coisa
preciosa. Hoje tento refletir sempre dessa maneira, nem todos os dias precisam
de ser extraordinários.
Às vezes, a maior bênção é simplesmente poder viver um dia normal.
E hoje, para mim, voltar à ROTINA é isso, é ter um dia normal, sendo um privilégio, uma bênção e uma enorme alegria….
domingo, 30 de agosto de 2026
Seis meses de distância, um mundo de novas descobertas
Hoje está a ser um dia emocionalmente difícil cá em casa. Para mim, para a Miducha e, acredito, também para a Teresinha, embora ela enfrente esta nova etapa com a independência e determinação que sempre a caracterizaram.
A nossa Teresinha partiu hoje para uma aventura que será,
certamente, inesquecível, vai passar os próximos seis meses em Sevilha, ao
abrigo do programa Erasmus.
Seis meses podem parecer pouco tempo quando os colocamos
numa perspetiva racional. afinal, Sevilha não fica assim tão longe. Vivemos
numa época em que uma chamada de vídeo encurta distâncias e em que uma viagem
de carro de 4 horas pode-nos levar rapidamente ao outro lado da Península. Mas,
quando alguém que tão próximo, que sempre viveu connosco deixa de fazer parte
do nosso quotidiano, a distância mede-se de outra forma. Mede-se nas pequenas
rotinas que desaparecem, nas conversas espontâneas, nas refeições partilhadas,
nos bons-dias e nos até-logo. E é aí que percebemos que seis meses podem
parecer uma eternidade.
Hoje fui levá-la ao autocarro, no Parque das Nações.
Acompanhei-a naquele momento que, sendo aparentemente simples, carregava uma
enorme carga emocional, a despedida, as malas, os últimos abraços, as últimas
recomendações, como se algumas palavras pudessem proteger ainda mais quem
parte.
No caminho de regresso a casa, confesso que não consegui
esconder a emoção, chorei um bocadinho, mas recompus-me, não podia chegar a
casa assim. Talvez porque, naquele momento, a realidade se tornou mais concreta,
a minha filha ia iniciar uma nova etapa da sua vida e, durante algum tempo,
deixaria de estar connosco diariamente.
E é curioso como a vida dos filhos nos coloca perante este
paradoxo tão bonito e tão difícil, queremos que cresçam, que ganhem asas, que
sejam independentes, confiantes e capazes de conquistar o seu próprio caminho,
mas quando chega o momento de os ver partir, mesmo sabendo que é exatamente
isso que desejámos para eles, o coração de pai parece nunca estar completamente
preparado.
A Teresinha vai para uma cidade extraordinária. Sevilha, com
o seu encanto natural, a sua luz, a sua história, as suas ruas cheias de vida e
aquele ambiente tipicamente andaluz que conquista quem por lá passa. Uma cidade
bonita, intensa e acolhedora, que certamente lhe proporcionará experiências que
ficarão para sempre na sua memória.
Vai estudar na Universidade Loyola, uma instituição jesuíta
de grande prestígio e reconhecida no meio académico, onde naturalmente,
esperamos que esta experiência seja uma importante valorização do seu percurso
académico, mas desejamos que seja muito mais do que isso.
Esperamos que estes seis meses sejam também um tempo de
descoberta, de crescimento pessoal e de aprendizagem sobre o mundo e sobre si
própria. Que conheça pessoas diferentes, culturas diferentes, formas diferentes
de pensar, que viaje, que se surpreenda, que saia da sua zona de conforto e que
aprenda a resolver, por si mesma, os pequenos e grandes desafios que a vida lhe
colocar.
Porque o Erasmus não se faz apenas nas salas de aula, faz-se
nas conversas até tarde, nas amizades improváveis, nas ruas desconhecidas que
um dia passam a ser familiares, nas saudades de casa e na descoberta de que
somos capazes de muito mais do que imaginávamos.
Embora a Teresinha seja uma jovem muito independente, e isso
tranquiliza-nos, sabemos que não será exatamente a mesma coisa. Ela vai
partilhar apartamento com uma amiga, numa zona castiça e típica de Sevilha, e
certamente construirá por lá uma nova rotina, uma pequena casa longe de casa.
E nós teremos de aprender também, com mais esta saída. Já saíram
o Diogo e a Marta.
Aprender a lidar com a cadeira vazia à mesa, com o quarto
mais silencioso, com a ausência de uma presença que sempre tomámos como
garantida. Teremos de nos habituar à ideia de que os filhos crescem e que, um
dia, começam a construir o seu mundo para além das paredes da nossa casa.
Mas, no meio desta saudade que já se instalou, há também um
sentimento bonito de admiração e de serenidade.
É impossível não olhar para a mulher em que a Teresinha se
está a transformar e sentir uma enorme ternura, pela coragem com que abraça
novos desafios, pela independência pessoal e pela naturalidade com que se
atreve a sair da sua zona de conforto. Crescer é também isto, ganhar asas,
descobrir novos caminhos e partir à procura daquilo que a vida ainda tem para
nos ensinar.
É talvez uma das maiores emoções de quem é pai seja
precisamente assistir, mesmo de coração apertado, a esse maravilhoso processo
de transformação.
Mas acredito que gostar também é isto, saber abrir as mãos
quando o coração gostaria de apertar ainda mais forte, dar liberdade, mesmo
quando a saudade já aperta, ficar feliz pelo voo de quem criámos, mesmo quando
sentimos o silêncio que fica depois da partida.
Sevilha recebe hoje a nossa Teresinha.
E nós, aqui em casa, ficamos com um misto de saudade,
orgulho, emoção e esperança. Esperança de que estes seis meses sejam felizes,
seguros, intensos e inesquecíveis e que ela aproveite cada momento, que cresça,
que aprenda e que regresse ainda mais rica por dentro, não apenas pelos
conhecimentos académicos que certamente adquirirá, mas pelas experiências
humanas que levará consigo para toda a vida. Nós, se Deus quiser, estaremos
sempre aqui a torcer por ela, a acompanhar cada novidade, cada fotografia, cada
história e cada pequena conquista.
Porque, no fundo, a distância nunca diminui verdadeiramente
aquilo que nos une.
Boa viagem, minha querida Teresinha, que Sevilha te receba
de braços abertos e que a vida te ofereça, nestes próximos seis meses, memórias
que guardarás para sempre.
Nós ficamos por cá.
Com saudades, sim.
Mas, acima de tudo, com o coração cheio. ❤️
sábado, 15 de agosto de 2026
Férias em família no Algarve
Há férias que ficam na memória pelas paisagens, pelos hotéis ou pelos lugares que visitamos, e depois há aquelas que ficam no coração, porque foram vividas em família.
As nossas férias no Algarve foram assim, intensas,
cheias de vida, de risos, de praia, de piscina, de grandes jantaradas e,
sobretudo, de momentos que vamos guardar com carinho.
O Diogo esteve conosco cinco dias, o que tornou tudo ainda
mais especial. Estiveram também os meus netos, a Teresinha, a Marta e o
António, e tivemos ainda a companhia dos pais do António, a Maria João e o avô António. Uma verdadeira reunião de família, daquelas em que há sempre
alguém a falar, alguém a rir, crianças a correr e uma mesa que parece nunca ter
comida suficiente.
E que dizer dos meus netos, o António e a Amparinho?
São uns meninos lindos e portam-se muito bem. Bem… quase
sempre! Porque, naturalmente, também houve algumas pequenas aventuras e
asneiras, que são precisamente aquelas que acabam por dar as melhores
histórias.
Uma delas aconteceu com o meu telemóvel. Um deles fez uma
asneira e eu, fazendo aquela cara de avô muito aborrecido, mas sempre a
brincar, perguntei:
— Quem fez isto?
A Amparinho, muito pronta, respondeu imediatamente:
— Foi o Paquito!
O Paquito é o nosso cãozinho e, aparentemente, tinha acabado
de se tornar o principal suspeito.
Mas o António, muito esperto, não deixou passar:
— Não foi! Ele não tem mãos. Foi a Amparo!
E pronto. Caso encerrado. O Paquito ficou ilibado, e a
Amparinho percebeu que tinha encontrado um mano que não a deixava mentir😃.
Os dias foram passados entre a piscina e a praia, normalmente todos juntos. Houve mergulhos, brincadeiras, areia, calor e aquela confusão boa que só acontece quando uma família inteira se junta de férias. E, claro, houve boas jantaradas, longas conversas, passeios no areal da praia, e muitos momentos à mesa, onde se prolongavam os dias e se partilhavam as histórias.
Foram dias muito intensos, mas também muito divertidos.
Eu próprio aproveitei para correr todos os dias. Alguns dias
de manhã e outra vez à tarde. Duas vezes no mesmo dia! Um verdadeiro maluco.
Mas soube-me muito bem. Sentia-me com energia, vontade de mexer, de aproveitar
e de viver cada momento. E talvez por isso essas corridas tenham tido um
significado especial.
Depois dos dias difíceis que passei internado em junho,
particularmente durante o período em que estive nos cuidados intensivos, voltar
a sentir-me assim, correr, estar na praia, brincar com os netos, conviver com a
família e simplesmente desfrutar da vida teve um sabor muito especial.
O Algarve foi, por isso, muito mais do que umas férias, foi uma espécie de reencontro com a vida, com a família e comigo próprio.
Ficam as fotografias, as conversas, as gargalhadas, os passeios, as
jantaradas, os mergulhos, as corridas e, sobretudo, ficam as memórias.
E ficam também o António e a Amparinho, com as suas
brincadeiras e respostas inesperadas, a lembrar-nos que a vida em família é
feita destas pequenas histórias que, anos mais tarde, continuaremos a contar e
a rir.
Foram dias intensos e por vezes cansativos, mas foram dias muito
divertidos.
E foram, acima de tudo, dias muito felizes em família.
Vitor Carvalho
Uma coincidência incrível, um reencontro na mesma praia, um ano depois
Que coincidência… 😁
Voltei a
encontrar, na praia, o escritor António Pedro Moreira, como habitualmente, a
vender os seus livros. Durante os meses de julho e agosto, o Pedro percorre
grande parte das praias algarvias, levando consigo as histórias das suas
viagens e aventuras.
No ano passado, já lhe tinha comprado “Chama”, o livro que relata a sua extraordinária viagem de Luanda a Maputo, de bicicleta, cerca de 4000 quilómetros percorridos em apenas 40 dias.
- «O
senhor não usava um chapéu?» 😁
Este ano, não resisti a conhecer mais uma das suas aventuras e trouxe comigo “Do Panamá ao México à boleia”.
António
Pedro Moreira é, sem dúvida, um escritor aventureiro, daqueles que transformam
viagens, desafios e experiências em histórias que nos fazem viajar também,
mesmo sem sairmos do lugar.
Mas o mais curioso deste reencontro estava ainda por descobrir, ou melhor dizendo, por confirmar. Sem que nenhum de nós o tivesse planeado, voltámos a encontrar-nos na mesma praia e, surpreendentemente, no mesmo dia. E há ainda um detalhe que torna esta coincidência mais incrível, aquela praia era apenas a segunda vez que a visitava em toda a minha vida.
Encontrámo-nos exatamente na mesma praia e, precisamente, no mesmo dia,14 de agosto.
Um ano
inteiro passou e, sem qualquer combinação, voltámos a cruzar-nos no mesmo lugar
e na mesma data. Incrível!
Talvez
sejam apenas coincidências… ou talvez algumas histórias tenham mesmo vontade de
continuar.
Foi,
mais uma vez, um enorme prazer reencontrar o Pedro, entre livros, memórias e
novas aventuras.
Agora é
levar “Do Panamá ao México à boleia” para casa e começar mais uma viagem,
desta vez, através das páginas de um livro.
Vitor Carvalho
Eu também faço parte destes 170 Anos
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