sábado, 15 de agosto de 2026

Férias em família no Algarve

 







Há férias que ficam na memória pelas paisagens, pelos hotéis ou pelos lugares que visitamos, e depois há aquelas que ficam no coração, porque foram vividas em família. 

As nossas férias no Algarve foram assim, intensas, cheias de vida, de risos, de praia, de piscina, de grandes jantaradas e, sobretudo, de momentos que vamos guardar com carinho.

O Diogo esteve conosco cinco dias, o que tornou tudo ainda mais especial. Estiveram também os meus netos, a Teresinha, a Marta e o António, e tivemos ainda a companhia dos pais do António, a Maria João e o avô António. Uma verdadeira reunião de família, daquelas em que há sempre alguém a falar, alguém a rir, crianças a correr e uma mesa que parece nunca ter comida suficiente.

E que dizer dos meus netos, o António e a Amparinho?

São uns meninos lindos e portam-se muito bem. Bem… quase sempre! Porque, naturalmente, também houve algumas pequenas aventuras e asneiras, que são precisamente aquelas que acabam por dar as melhores histórias.

Uma delas aconteceu com o meu telemóvel. Um deles fez uma asneira e eu, fazendo aquela cara de avô muito aborrecido, mas sempre a brincar, perguntei:

— Quem fez isto?

A Amparinho, muito pronta, respondeu imediatamente:

— Foi o Paquito!

O Paquito é o nosso cãozinho e, aparentemente, tinha acabado de se tornar o principal suspeito.

Mas o António, muito esperto, não deixou passar:

— Não foi! Ele não tem mãos. Foi a Amparo!

E pronto. Caso encerrado. O Paquito ficou ilibado, e a Amparinho percebeu que tinha encontrado um mano que não a deixava mentir😃.

Os dias foram passados entre a piscina e a praia, normalmente todos juntos. Houve mergulhos, brincadeiras, areia, calor e aquela confusão boa que só acontece quando uma família inteira se junta de férias. E, claro, houve boas jantaradas, longas conversas, passeios no areal da praia, e muitos momentos à mesa, onde se prolongavam os dias e se partilhavam as histórias.

Foram dias muito intensos, mas também muito divertidos.

Eu próprio aproveitei para correr todos os dias. Alguns dias de manhã e outra vez à tarde. Duas vezes no mesmo dia! Um verdadeiro maluco. Mas soube-me muito bem. Sentia-me com energia, vontade de mexer, de aproveitar e de viver cada momento. E talvez por isso essas corridas tenham tido um significado especial.

Depois dos dias difíceis que passei internado em junho, particularmente durante o período em que estive nos cuidados intensivos, voltar a sentir-me assim, correr, estar na praia, brincar com os netos, conviver com a família e simplesmente desfrutar da vida teve um sabor muito especial.

O Algarve foi, por isso, muito mais do que umas férias, foi uma espécie de reencontro com a vida, com a família e comigo próprio.

Ficam as fotografias, as conversas, as gargalhadas, os passeios, as jantaradas, os mergulhos, as corridas e, sobretudo, ficam as memórias.

E ficam também o António e a Amparinho, com as suas brincadeiras e respostas inesperadas, a lembrar-nos que a vida em família é feita destas pequenas histórias que, anos mais tarde, continuaremos a contar e a rir.

Foram dias intensos e por vezes cansativos, mas foram dias muito divertidos.

E foram, acima de tudo, dias muito felizes em família.

 

Vitor Carvalho

Uma coincidência incrível, um reencontro na mesma praia, um ano depois


Que coincidência… 😁

Voltei a encontrar, na praia, o escritor António Pedro Moreira, como habitualmente, a vender os seus livros. Durante os meses de julho e agosto, o Pedro percorre grande parte das praias algarvias, levando consigo as histórias das suas viagens e aventuras.

No ano passado, já lhe tinha comprado “Chama”, o livro que relata a sua extraordinária viagem de Luanda a Maputo, de bicicleta, cerca de 4000 quilómetros percorridos em apenas 40 dias.

 Quando me reconheceu, perguntou-me, divertido:

- «O senhor não usava um chapéu?» 😁

Este ano, não resisti a conhecer mais uma das suas aventuras e trouxe comigo “Do Panamá ao México à boleia”.

António Pedro Moreira é, sem dúvida, um escritor aventureiro, daqueles que transformam viagens, desafios e experiências em histórias que nos fazem viajar também, mesmo sem sairmos do lugar.

Mas o mais curioso deste reencontro estava ainda por descobrir, ou melhor dizendo, por confirmar. Sem que nenhum de nós o tivesse planeado, voltámos a encontrar-nos na mesma praia e, surpreendentemente, no mesmo dia. E há ainda um detalhe que torna esta coincidência mais incrível, aquela praia era apenas a segunda vez que a visitava em toda a minha vida.

Encontrámo-nos exatamente na mesma praia e, precisamente, no mesmo dia,14 de agosto.

Um ano inteiro passou e, sem qualquer combinação, voltámos a cruzar-nos no mesmo lugar e na mesma data. Incrível!

Talvez sejam apenas coincidências… ou talvez algumas histórias tenham mesmo vontade de continuar.

Foi, mais uma vez, um enorme prazer reencontrar o Pedro, entre livros, memórias e novas aventuras.

Agora é levar “Do Panamá ao México à boleia” para casa e começar mais uma viagem, desta vez, através das páginas de um livro.

Vitor Carvalho

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Entre a Fragilidade e a Gratidão


No domingo, a febre persistia. Depois de ter desvalorizado uma dor no peito, convencido de que seria apenas uma dor muscular, decidi, já noite dentro, dirigir-me às urgências do hospital.

Seguiram-se exames, diagnósticos preliminares, mais exames... até surgir o veredito final, um problema grave ao nível do coração que exigia internamento imediato e transferência urgente para os cuidados intensivos.

Foi um momento de enorme pânico. Não apenas para mim, mas também para a Miducha e para a Teresinha, que me acompanhavam naquele momento tão difícil.

Já de madrugada, fui internado na Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital da Cuf.

O ambiente era assustador, pouca luz, máquinas por todo o lado, fios, monitores, oxigénio. Para quem estava plenamente consciente, tudo aquilo parecia saído de outra realidade. Nessa noite, o sono não apareceu. À minha volta, médicos e enfermeiros sucediam-se junto à cama, enquanto a preocupação se instalava de forma inevitável.

Passei três dias nos cuidados intensivos.

Foram dias de reflexão profunda. Houve momentos de angústia e muitas lágrimas, mas também momentos de grande aprendizagem. Percebi que tenho muitos amigos, tendo recebido manifestações de carinho de inúmeras pessoas, naturalmente da Moita, mas também de vários pontos do país, de Valença a Faro. Saber que tantas pessoas se preocupavam comigo deu-me uma força extraordinária.

Durante estes dias, tive também a presença diária de um Padre amigo, o Capelão do Hospital da Cuf, que nas conversas que íamos tendo, relembrava-me sempre que Deus não me deixava sozinho. 

Felizmente, nunca senti falta de ar. Esse pequeno sinal positivo ajudava-me a manter a esperança, mesmo quando a situação clínica permanecia estável, mas sem melhorias significativas.

Confinado a uma cama, com movimentos limitados, mas perfeitamente consciente, vivi de perto a intensidade daquele ambiente onde os sons dos monitores se misturam com a dedicação constante dos profissionais de saúde.

Conheci pessoas extraordinárias. Desde os auxiliares, e aqui deixo um agradecimento especial ao Daniel, que sonha um dia ser enfermeiro, aos enfermeiros, sem exceção, e aos médicos que me acompanharam.

Permitam-me destacar o coordenador dos cuidados intensivos, o Dr. Paulo Gomes.

Recordo um episódio simples, mas profundamente humano. Numa das conversas, disse-lhe:

— Doutor, estou com muitas dores de cabeça. Parece-me que me está a faltar café...

Poucos minutos depois, estava a beber um café expresso. Um gesto simples, mas que naquele momento teve um significado enorme.

Passei vários dias naquele espaço exigente, com visitas muito restritas e breves. Foi difícil, mas nunca me senti sozinho.

A minha Miducha, as minhas filhas, o meu genro, o meu filho, que surgiu de surpresa, foram um suporte emocional firme. Se fisicamente atravessava uma prova difícil, emocionalmente sentia-me profundamente amparado.

 

A Vivência

Estas experiências recordam-nos algo que tantas vezes esquecemos, a fragilidade humana.

Basta um instante para percebermos como tudo pode mudar.

Nestes dias difíceis vivi, senti e testemunhei a grandeza do ser humano. A competência, a dedicação e a entrega daqueles profissionais de saúde merecem toda a minha admiração. Da mesma forma, senti a força do amor e da amizade, algo que jamais esquecerei e que dificilmente conseguirei agradecer como seria a minha obrigação.

As correntes de oração que se criaram, as mensagens constantes de incentivo, as demonstrações de carinho e a presença dos amigos tocaram-me profundamente. Mais do que me emocionar, tudo isso me fortaleceu. Nunca me deixou cair.

Houve uma frase que me dedicaram e que guardarei para sempre:

"Quando estamos na mão de Deus, nada tememos."

O amor da família foi, naturalmente, um pilar essencial, sem ele, não sei se teria encontrado a mesma força. O amor dos amigos e a fé em Deus foram igualmente o meu suporte nos momentos mais difíceis.

Hoje, olhando para trás, percebo que estas provações também têm a capacidade de nos purificar, de nos ajudar a distinguir o essencial do acessório e de nos lembrar do verdadeiro valor da vida.

A todos os que rezaram por mim, que me enviaram uma mensagem, que se preocuparam, que estiveram presentes de alguma forma, deixo a minha mais profunda gratidão.

Muito, muito obrigado!


Vitor Carvalho


terça-feira, 19 de maio de 2026

Surpresa extraordinária num almoço....


 Há encontros que parecem simples coincidências, mas que acabam por revelar qualquer coisa de muito maior, quase como se Deus fosse tecendo silenciosamente os fios da nossa vida.

Aconteceu-me uma coisa verdadeiramente extraordinária.

Num almoço onde estavam reunidas cerca de quarenta pessoas, distribuídas por várias mesas, sentei-me ao lado de cinco pessoas que nunca tinha visto antes. Desde os primeiros minutos, percebi que havia ali qualquer coisa de especial. Todos diferentes nas suas profissões, nos seus percursos e nas suas experiências de vida, mas unidos por uma enorme humanidade, uma simpatia enorme e uma humildade extraordinária.

A conversa foi correndo naturalmente, dessas conversas bonitas que nascem sem esforço. Falámos de tudo, da vida, da família, do trabalho, das inquietações pessoais, da fé, das alegrias e das fragilidades que cada um transporta. Houve partilhas sinceras, profundas, quase íntimas, como se nos conhecêssemos há muito mais tempo do que apenas algumas horas.

A certa altura, um deles, talvez o mais expansivo e comunicativo da mesa, começou a contar uma história. Já nem me lembro ao certo como o assunto surgiu. Disse que, recentemente, tinha conhecido três jesuítas absolutamente marcantes. Falava deles com um brilho especial nos olhos, mas havia um em particular que parecia ter deixado uma marca profunda no seu coração.

Contava, emocionado, que esse jesuíta o tinha tocado de uma forma tão bonita e tão simples, que ainda hoje, em casa, continuava a ser tema de conversa entre ele, a mulher e os filhos.

E depois, no meio de várias coisas que contava, disse o nome.

“Chamava-se Diogo Maria…”

Naquele instante, senti o coração parar por segundos.

Fiquei em silêncio. Não disse absolutamente nada. Limitei-me a ouvi-lo. Queria escutar cada palavra, cada memória, cada gesto que descrevia daquele jovem jesuíta sem imaginar, por um único instante, quem eu era.

Falou da delicadeza com que tinha sido acolhido, uma vez que nem era muito dedicado aos temas da religião, da profundidade espiritual, da alegria serena, da simplicidade luminosa daquele rapaz que tinha deixado tudo apenas para servir Jesus. Contou como tinha ficado tão impressionado que quis apresentá-lo à família. E descrevia, com uma ternura quase comovente, o encanto que o Diogo tinha deixado na mulher e nos filhos.

“Era diferente… havia nele qualquer coisa rara”, dizia.

Eu já mal conseguia respirar.


Havia dentro de mim uma mistura impossível de explicar, surpresa, emoção, gratidão… e uma espécie de pudor sagrado perante aquele momento tão improvável.

Mas chegou uma altura em que já não consegui guardar mais aquele segredo.

Com a voz emocionada, interrompi-o suavemente e disse:

— Esse jesuíta… o Diogo Maria… é meu filho.

Por segundos, fez-se silêncio à mesa.

Ninguém sabia que o meu filho era jesuíta.

Os olhares cruzaram-se entre a incredulidade e a emoção. E aquele homem ficou completamente desarmado, quase sem palavras. Como se a vida, de repente, tivesse fechado um círculo perfeito diante de todos nós.

Então aconteceu ainda algo mais bonito.

Abriu lentamente a carteira e tirou de lá um pequeno cartão que guardava consigo. Era uma imagem muito bonita que o Diogo lhe tinha enviado mais tarde, agradecendo o facto de o ter conhecido a ele e à sua família.

Guardava-o consigo.

Na carteira.

Como quem guarda um tesouro discreto.

Naquele instante percebi uma coisa profundamente bela, às vezes, os filhos revelam-se ao mundo de formas que os pais nunca chegam verdadeiramente a conhecer. E é pela boca dos outros que descobrimos a dimensão silenciosa do bem que eles espalham.

Saí daquele almoço com o coração cheio.

Porque há coincidências bonitas.

Mas há outras que parecem verdadeiros abraços de Deus. Obrigado!

 

Vitor Carvalho

sábado, 9 de maio de 2026

Nunca é tarde para investir na nossa saúde e ....



Eu e a Miducha descobrimos que nunca é tarde para investir na nossa saúde e no nosso bem-estar.

Já passámos dos 60 anos, mas foi precisamente nesta fase da vida que o ginásio ganhou um significado especial para nós. Eu pessoalmente sempre fui ligado ao desporto, mas de ar livre, nunca gostei muito de ginásios.

Mas, o sedentarismo estava a fazer-nos mal, tínhamos de fazer algum exercício, sendo que a Miducha não era muito dessas coisas….

Bem, lá fomos fazer a experiência, fazer exercício num ginásio e a dois,

Aconteceu algo extraordinário, mais do que um espaço para fazer exercício, tornou-se também num momento para também podermos estar mais tempo juntos, o que torna o contexto mais motivador.

Criou-nos uma rotina que nos vai fazendo sentir ativos e cheios de energia.

Num dos dias da semana, treinamos apenas os dois com um personal trainer, o amigo de muitos anos, o Armindo, o que nos ajuda a perceber melhor os exercícios e trabalhar de forma segura, adaptada à nossa idade e às nossas necessidades. Sentimos que ganhámos força, equilíbrio e mais confiança para as exigentes rotinas do dia a dia.

Noutro dia fazemos WOD híbrido, um treino mais dinâmico e muito mais desafiante, onde combinamos diferentes exercícios e superamos limites que nunca imaginámos conseguir ultrapassar. Cada treino é uma conquista. Não interessa fazer tudo perfeito, interessa aparecer, dar o nosso melhor e sair de lá com a sensação de missão cumprida. Custa-nos muito sair de casa, é verdade, mas no final não podíamos estar mais satisfeitos.

O mais bonito desta experiência é que os benefícios não são apenas físicos. Claro que nos sentimos mais saudáveis, mais resistentes e com mais disposição, mas também sentimos que isto nos ajudou a fortalecer mutuamente.

Treinar juntos criou-nos momentos de união, boa disposição e incentivo mútuo, quando um desanima, ou não lhe apetece treinar, o outro puxa para cima. Acabamos por celebrar juntos cada pequena evolução.

Hoje entendemos que a prática desportiva em conjunto, neste caso em casal, para além de nos cuidar do corpo também ajuda na relação. O ginásio trouxe-nos mais saúde, compromisso, motivação e ainda mais companheirismo.

A verdade é bem simples, a idade traz-nos mais experiência, mas não nos tira a vontade de viver bem e continuarmos ativos, e ainda melhor, se for lado a lado.

Vitor Carvalho

terça-feira, 5 de maio de 2026

Servidores de Emaús, um exemplo

 

No último fim de semana, participei no 4.º Retiro de Emaús (homens), que se realizou no Seminário de São Paulo, em Almada.

Foi uma experiência fantástica e emocionalmente muito intensa.

Não querendo, nem podendo, revelar o que se viveu dentro daquele Seminário, não posso deixar de destacar um grupo significativo de pessoas que assegurou a organização e o acompanhamento dos caminhantes, os chamados SERVIDORES.

A disponibilidade, a simpatia e a humildade destes homens tocou-me de forma particular, pelo que não posso deixar de lhes dirigir uma palavra de profundo reconhecimento. Aquilo que fizeram foi, verdadeiramente, serviço no sentido mais genuíno da palavra.

Foram incansáveis, sempre com um sorriso, sempre próximos dos caminhantes e sempre disponíveis. O cuidado e a dedicação foram evidentes em todos os momentos, com especial destaque para as refeições, onde o atendimento foi exemplar.

De forma discreta e generosa, estes servidores, tendo apenas como motivação o amor a Deus, foram um verdadeiro exemplo do que é servir o outro, à luz dos valores da mensagem Cristã.

Bem Hajam SERVIDORES e muito obrigado!

Vitor Carvalho

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Diário de uma viagem à Polónia

 



Em pleno inverno, este ano particularmente rigoroso, iniciei, com um grupo da Moita, uma viagem fantástica a Cracóvia e Varsóvia.

À chegada a Cracóvia, fomos imediatamente envolvidos por um ambiente mágico. A neve abundante, algo pouco habitual para nós, portugueses, cobria a cidade histórica, com os seus edifícios coloridos, ruas empedradas, a praça medieval, jardins totalmente brancos e um castelo encantador com uma vista magnífica sobre o rio Vístula. Tudo parecia saído de um postal ilustrado.

Visitamos igrejas lindíssimas, onde a devoção e o catolicismo se manifestam de forma profundamente enraizada na população. Sentia-se uma fé viva, presente em cada pessoa que por ali passava.

Passeámos e jantámos no típico bairro judeu, onde escutei histórias marcantes sobre o extermínio do povo judeu. Estes acontecimentos no bairro também deixaram ali cicatrizes profundas. Ao jantar, provei pratos típicos judaicos e bebi um belo vinho de origem judaica, muito bom, surpreendentemente semelhante aos nossos vinhos portugueses.

Vivi também um dos dias mais intensos emocionalmente ao visitar Auschwitz e Birkenau. Lugares de silêncio, de dor e de profunda reflexão sobre as atrocidades cometidas. Saí com um sentimento de respeito e memória difícil de traduzir em palavras. Fiquei completamente em silêncio e pasmado com tanto horror praticado. Deixo um conselho, visitem estes campos de concentração. É uma experiência que marca para sempre.

Visitamos ainda a casa onde viveu São João Paulo II e a igreja onde foi batizado. A casa está hoje transformada num museu extraordinário, que nos permite conhecer melhor a vida e o percurso de uma das figuras mais marcantes da Igreja Católica.

No Santuário de São João Paulo II vi a batina que João Paulo II usava quando sofreu o atentado na Praça de S. Pedro em 13 de Maio de 1981, com os sinais do tiro e as manchas de sangue.

Fomos também às famosas Minas de Sal, na época, grande propulsor da economia da região. Naqueles imensos caminhos subterrâneos, os mineiros polacos construíram autênticas obras de arte em sal, como esculturas, capelas, etc. Trata-se de um local Património Mundial da UNESCO.

Importa recordar que Cracóvia não foi destruída pelos ataques alemães, conservando assim grande parte da sua traça original anterior à guerra. Tive ainda a oportunidade de assistir a um nevão intenso que transformou ainda mais a cidade num cenário verdadeiramente mágico.

Seguimos depois para Varsóvia, a grande capital da Polónia, completamente reconstruída no pós-guerra. A cidade foi praticamente destruída pelos bombardeamentos alemães, mas renasceu com a determinação que se reconhece a este povo. Hoje apresenta duas faces distintas, por um lado, uma cidade moderna, com arranha-céus e edifícios imponentes que fazem lembrar os grandes centros financeiros europeus, por outro, a cidade velha, meticulosamente reconstruída, onde impressiona o detalhe e o rigor histórico com que tudo foi recuperado.

Numa das noites, jantámos num restaurante muito típico, onde a refeição foi animada por danças e cantares tradicionais polacos. Alguns de nós ainda se aventuraram a participar em pequenos jogos e danças típicas, proporcionando momentos de grande diversão e boa disposição. Foi um serão verdadeiramente alegre, que nos permitiu contactar de forma mais próxima com a cultura e as tradições locais. Foi especialmente divertido.

Fiquei particularmente impressionado com o imponente símbolo deixado pelos soviéticos, hoje o palácio da cultura e ciência, grandioso na sua arquitetura, mas profundamente controverso para os polacos, que guardam memórias pouco simpáticas, também desse período da sua história, entre 1944 e 1989.

Deixou-me também impressionado a resiliência deste povo, que tendo vivido mais de 100 anos sem pátria, a Polónia esteve dividida por três países, conservou a sua identidade, costumes, tradições e em especial a sua língua.

Foi, sem dúvida, uma viagem marcante, rica em história, fé, memória e magia.

Obrigado aos amigos que organizaram a viagem e a todos que partilharam connosco estes dias.

Vitor Carvalho

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

O DIOGO FOI PARA UMA ORDEM RELIGIOSA

 


Este tempo sem o Diogo por perto, embora bonito e desafiante para a família, tem sido, emocionalmente, difícil de gerir.

Depois de algum tempo fora do seminário, em que a sua saúde lhe pregou uma pequena partida, há alguns meses regressou, agora para uma Ordem Religiosa, a Companhia de Jesus ou a chamada “Ordem dos Jesuítas”.
Este período de afastamento do Diogo que será longo, em particular do mundo familiar, não tem sido nada fácil de gerir cá em casa. Embora tentando ser os mais fortes possível, a família tem sentido muito a distância e tem doído a sua separação deste nosso núcleo mais próximo.

Apesar de percebermos que este recolhimento e esta distância são essenciais para um crescimento interior e pessoal, em todas as vertentes humanas, este caminho tem-nos marcado profundamente e, de forma muito honesta, está a ser muito mais exigente do que os tempos do seminário do Patriarcado de Lisboa.

Não sabendo exatamente o que lhe vai na alma, suponho, no entanto, que este afastamento da família e dos amigos, associado a um recolhimento natural, também o estará a marcar de forma profunda, mas genuinamente positiva.

Vivemos, assim, um certo paradoxo interior, custa-nos a distância física, mas, ao mesmo tempo, sentimos uma proximidade espiritual ainda maior. Sentimo-nos próximos e unidos ao Diogo e à sua comunidade de uma forma nova.

A oração tem sido a nossa força, tem sido a forma de colocarmos os nossos corações muito próximos dele e da sua comunidade.

Rezem também por eles.

 

Vitor Carvalho

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

2025, Mais um ano que está a chegar ao fim....

 
Quero recordar alguns momentos que me marcaram este ano, pelo menos em termos pessoais.

2025 foi um ano tremendo… exigente, intenso, mas muito bom!

O Diogo terminou o Mestrado em Teologia e voltou ao seminário, agora nos Jesuítas. É uma grande alegria, vê-lo seguir o seu caminho, mas está longe, quase não o vimos e isso custa-nos muito.

A Teresinha concluiu o primeiro ano da faculdade, tirou a carta de condução e, parece um verdadeiro Uber entre a Moita e Lisboa! É a faculdade, os grupos católicos em que está envolvida e os amigos, enfim, vive numa roda viva constante. É bonito vê-la crescer, autónoma e cheia de entusiasmo pela vida.

A Marta, o António e os meus "ricos" netinhos😀 continuam por Estremoz. Os meninos são lindos e muito, muito simpáticos, a Marta, apesar do ritmo exigente do trabalho, trabalhando em vários consultórios e em vários localidades do Alentejo, ainda continua a estudar. 

Eu e a Miducha temos estado "em todas", e isso, apesar do cansaço, preenche-nos profundamente. Profissionalmente, o ano foi de muito trabalho e grandes desafios, tanto na IP como na nossa empresa. As exigências são constantes e não há muito espaço para tirar o pé do acelerador. O ritmo é elevado, mas também estimulante.

Faço ainda parte de um grupo fantástico, que se vai consolidando, “Os Homens Também Rezam”. Estes encontros mensais ajudam-me a parar e a respirar com Deus. Tem sido uma experiência verdadeiramente enriquecedora.

Há alguns meses que eu e a Miducha iniciámo-nos no ginásio. Para além da questão física, tem sido um tempo muito giro, partilhado a dois, que nos faz bem ao corpo e à alma.

Em 2025 ainda mudamos de casa, gostamos muito do sitio onde moramos agora. 😃

No meio de tudo isto, só posso agradecer. Foi um ano intenso, cheio de vida, desafios e bênçãos. Entramos em 2026 cansados, sim, mas felizes, unidos e cheios de esperança de que o melhor ainda está para vir! 

PARA TODOS, O DESEJO É QUE O ANO DE 2026 SEJA O MELHOR DE SEMPRE!

Vitor Carvalho

 

 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

OS HOMENS TAMBÉM REZAM - Cumprimos um ano neste grande desafio.

 
Este último encontro do ano, já em pleno Advento, foi particularmente especial, com a presença do Padre Nuno. Curioso, também tinha sido ele que fez a palestra no primeiro encontro.

Na sua palestra falou-nos do tempo tão bonito que vivemos, o Advento e o Natal, com a proximidade, simplicidade e entusiasmo que tão bem o caracterizam e que nos toca sempre a todos.

 Seguiu-se o habitual momento de silêncio, como ele é tão regenerador…

Tivemos um momento verdadeiramente especial e muito bonito, Jesus “escreveu” uma carta a cada um de nós.


Terminamos com a recitação de duas dezenas do terço.

No final, como homens de uma terra de tradições, brindamos com um bom moscatel e claro, fazíamos um ano, uma fatia de bolo rei e algumas cantorias para acabar a noite em festa.

Ao longo deste ano, muitos amigos passaram por estes encontros na nossa igreja bonita igreja. 

Uns vieram apenas para rezar, outros a acompanhar um amigo, outros à procura de algo maior, outros vieram para nos ajudar a refletir, outros ainda, vieram falar-nos de realidades maiores...

O nosso muito obrigado a TODOS, TODOS, TODOS.

O desafio, esse, continua já em Janeiro.

Um Santo e Feliz Natal para todos!

 

HOMEM QUE REZA NÃO CAMINHA SOZINHO


 Vitor Carvalho

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

"OS HOMENS TAMBÉM REZAM" - O RECOMEÇO DEPOIS DA FÉRIAS

 




Esta quinta-feira do final do mês de Setembro, o grupo reiniciou os encontros após as férias.

Estando numa fase pré-eleitoral, convidamos para orientar a palestra um político conhecido, com mais de 30 anos ao serviço do parlamento, e também católico convicto: Dr. Duarte Pacheco.

O tema da palestra foi a Política e a religião.

Num ambiente muito acolhedor e descontraído, o Dr. Duarte Pacheco foi fantástico, partilhando a sua experiência e tantas histórias.

Como habitualmente, a seguir à palestra fizemos dez minutos de silêncio com uma reflexão individual, suportados num texto de apoio, sobre a política e a religião.
Terminamos o encontro a rezar duas dezenas, pedindo a Deus que nos ajude a discernir as escolhas políticas, procurar o bem comum e respeitar quem pensa de maneira diferente.

HOMEM QUE REZA NÃO CAMINHA SOZINHO

Vitor Carvalho

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Os Homens também rezam - 3x10

 

Éramos 15… A rezar!

Iniciámos esta quinta-feira na igreja da Moita, em pleno Advento, um desafio para homens, chama-se 3x10.

Trata-se de promover a espiritualidade dos homens, com momentos de reflexão, meditação e oração.

 O formato é muito simples, leve e vai realizar-se uma vez por mês.

 - 10 minutos de palestra dada por um sacerdote, neste caso pelo padre Nuno Pacheco;

 - 10 minutos de silêncio com uma pequena meditação;

 - 10 minutos a rezarmos juntos.

 Esta iniciativa tem o objetivo de uma forma simples, colocarmos a oração no dia a dia dos homens.

HOMEM QUE REZA NÃO CAMINHA SOZINHO

 

Vitor Carvalho

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

«ao lado dos jovens, não se envelhece» - Papa Francisco

 


Como é que um homem com 86 anos, que vem falar em nome de Alguém com mais de 2000, cria esta euforia e este entusiasmo em milhões, não só de jovens, em Lisboa?

Realmente é extraordinário, independentemente das crenças e convicções de cada um, todos facilmente reconhecem este fenómeno, que para nós católicos tem naturalmente outro significado, trata-se de FÉ…

O Papa Francisco, embora por vezes apresente alguma fragilidade física, sendo necessário nalgumas ocasiões utilizar a cadeira de rodas para se deslocar, transmite-nos um entusiasmo, uma força e uma esperança fortificantes, às vezes apenas com pequenos e simples gestos de carinho, mas principalmente com a força das suas palavras, transporta uma enorme jovialidade e uma alegria contagiante, como de um jovem adolescente se tratasse.

Fez um primeiro discurso fantástico no CCB, perante uma plateia diversa, com escritores, artistas, empresários, políticos, onde proferiu entre muitas outras coisas, palavras muito simpáticas para os portugueses, “Lisboa tem cheiro de flores e de mar”, chamando-lhe também “Lisboa, cidade do encontro”.

Deixou um enorme desafio aos políticos, dizendo-lhes que “a boa politica pode gerar esperança”.

É este querido Papa Francisco, entusiasmante e desafiante, que vai estar connosco até ao próximo domingo.

Estas JMJ são um momento único de encontro, de diversidade e de esperança no futuro. Todos vamos sair transformados no final .

Dou o meu exemplo, com o acolhimento em minha casa de 2 peregrinos, pessoas que nunca imaginei conhecer.
É um Padre Espanhol e um rapaz dos Camarões. Como tem sido bom este encontro, é riquíssimo e fortificante meus queridos amigos!

VIVA O PAPA FRANCISCO!



Vitor Carvalho

segunda-feira, 27 de junho de 2022

Vítor (Moita): S. Josemaria, um filho no seminário e uma família feliz

 


Nasceu em Lourenço Marques.

Em 1974 a vida deu uma grande volta. No meio das dificuldades a Miducha e os 3 filhos foram o seu porto de abrigo. Frequentou as “Equipas de Nossa Senhora”, colabora na paróquia da Moita e conta como S. Josemaria o ajudou na sua vida.

Chamo-me Vítor, nasci em Lourenço Marques, tenho 3 filhos e 1 neto, vivo atualmente na Moita do Ribatejo. Nasci no seio de uma família católica, sendo filho único, tendo ainda em Moçambique frequentado a catequese e feito parte da instrução primária.

Tinha uma vida perfeitamente tranquila até 1974, altura onde tudo se reverteu: voltei para Portugal, um período muito difícil para a minha família e para mim. Não tinha casa própria e os poucos amigos que ia arranjando, iam ficando para trás. Neste período abandonei toda a atividade cristã.

Mais tarde, em 1982 vim com os meus pais viver para o Sul, mais concretamente para Moita do Ribatejo onde vim a conhecer a Miducha, casei, nasceram os meus filhos e onde ainda resido....

......

.......

https://opusdei.org/pt-pt/article/vitor-moita-s-josemaria-um-filho-no-seminario-e-uma-familia-feliz/



domingo, 8 de maio de 2022

Apanhar Covid – “que chatice”

 


Quando parecia que o Covid poderia estar a desaparecer, num período em que já praticamente todos  “levantamos a guarda”, BINGO, acertou-me em cheio.

 Uma destas manhãs de sol esplendoroso, depois de uma noite mal dormida e algum desconforto no corpo ao acordar, mas apenas por mera tranquilidade de consciência, lá fiz mais um teste. Este teste era igual muitos outros que já tinha feito ao longo destes dois anos, seria para dar negativo, uma vez que tinha a semana completamente preenchida, com tantos compromissos e sem estar nada preparado para ficar isolado em casa, mesmo que sejam apenas 7 dias.

 Pois, foi isso que deu o teste, POSITIVO. Não estava mesmo preparado para ver os dois “risquinhos” no dispositivo de teste…. . mas que balde de água fria.

 Bem, não valia a pena chorar, isto já aconteceu a muitos, temos que nos organizar… para além de ter que arrumar os compromissos, existia a logística caseira, sendo necessário alterar completamente as rotinas, ficando aborrecido não apenas para mim, mas também cá em casa, uma vez que nem todos o tinham ainda apanhado…

 Como as coisas se complicam, também se podem descomplicar… mas o pior acabou por vir a seguir, um quadro clínico onde o pior eram as dores de cabeça, a febre, perda de olfato, um mal estar geral, etc, etc…nada no entanto que  Ben-u-ron, depois Brufen, lá fossem segurando os sintomas de modo a não castigar mais, tanto o corpo como a cabeça…

 Como tenho as três doses, com certeza que se evitou outras consequências, mas mesmo assim, não foi nada fácil. Dá para imaginar o que terá sido com milhões de pessoas que apanharam Covid ainda sem qualquer dose de vacinas.

 Agora estou na fase final do isolamento, julgo que o pior já passou e, espero que não deixe consequências. Gostava de deixar uma nota para o serviço da saúde 24. Funcionou muito bem, com acompanhamento, mais que uma vez, durante o isolamento.

 Dizem-me agora, - "estás mais descansado para o verão!", mas claramente, dispensava muito bem esta eventual imunização provocada pelo vírus. Embora o meu caso não tenha sido um caso grave, é realmente muito Chato apanhar o Covid!

Vitor Carvalho

terça-feira, 22 de março de 2022

A incompreensível atitude de Putin

 


À luz dos olhos de um ocidental livre e com valores humanos, é incompreensível esta atitude de Putin.

 Aquelas imagens de cidades destruídas e dos refugiados, particularmente de mulheres e crianças numa fuga desesperada, deixando maridos, pais, irmãos e também uma vida para trás, deixa qualquer um de coração completamente partido.

 Nem nos piores e rebuscados pensamentos achei que fosse possível aqui ao lado, em pleno século XXI, numa Europa que se considera civilizada, esta insensibilidade pela vida humana, em especial quando estão focados em destruir alguém que não tem culpa absolutamente nenhuma por viver naquele local. Faz-me recordar outras atrocidades da história…

 Putin pode querer um grande estado Russo, que possa englobar a Bielorrússia, a Ucrânia e eventualmente outros estados hoje independentes. Uma questão que se coloca desde a época medieval. Putin pode querer proteger a Rússia da Nato. Putin pode achar que o governo de Zelensky é um “bando de drogados” e de extrema direita neonazi, mas decididamente não pode nem tem o direito de destruir desta maneira a vida destes homens, destas mulheres e destas crianças, roubando-lhes todos os sonhos…

 No extremo contrário a esta barbárie, temos a sublime generosidade de muitos povos que acolhem estes refugiados, entre eles naturalmente os Portugueses, mas queria destacar e enaltecer a extrema bondade e generosidade do povo Polaco. Trata-se de um povo BOM.

A guerra aos poucos está a estender-se para além da Ucrânia, vai para já, atingindo em termos económicos, em especial a Europa, mas rapidamente se estenderá ao resto do mundo. Nós Portugueses já estamos e sentir diariamente isso na pele.

Mas pior, a minha preocupação vai aumentando todos os dias - Quem o fará parar? Quem o vai dissuadir de aumentar a escalada e acabar por vir a utilizar em desespero armas nucleares?

A seguir a uma pandemia que acabou por ser universal, temos uma desafio ainda maior pela frente, como será a Europa daqui por alguns anos? Como vão viver os nossos filhos e netos no futuro?

E eu que ingenuamente, ainda há uns dias atrás pensava que o mundo caminhava para um futuro melhor…

 

Vitor Carvalho

domingo, 13 de fevereiro de 2022

Vou ser Avô!

 Vou ser avô!

 Parece que está por dias, esta grande oportunidade que Deus me está a dar..

A alegria é imensa, nem sei muito bem como me preparar para esse momento. Tenho ao longo destes meses da gravidez da Marta, acompanhado a evolução do bebé na sua barriga, tenho visto e vivido a alegria dos pais, dos tios, dos outros avós, em especial da Miducha, mas também de tantos amigos, têm sido tempos tão bonitos e especiais.

No nosso tempo de avós, já não é como no meu tempo de criança, onde eu via os meus avós como dois velhinhos. Hoje, a grande maioria dos avós estão em plena vida ativa, ainda são muito dinâmicos, com o tempo e o seu dia a dia preenchidos em pleno, mas com uma certeza, a mesma disponibilidade incondicional que um AMOR maior como este pode ter.

Neste período e, com o aproximar da data, tenho tentado fazer uma retrospectiva desde o tempo da primeira gravidez da Miducha, do nascimento e do crescimento da Marta, do Diogo e da Teresinha, num exercício giro com tantas lembranças bonitas e que me têm preparado, para o nascimento do António.

 Dou comigo a lembrar-me de coisas incríveis com os meus filhos, será assim com os netos? Dizem que ainda será melhor, espero que sim.

Hoje sei que já não sou o mesmo que viveu o nascimento da Marta, onde na altura a alegria foi enorme, mas digo-vos com o coração, estou “quase” tão ansioso como naquele ano de 1993…

 
Gostava que os meus netos me vissem como um avô especial, vou fazer tudo por isso, QUERO SER UM AVÔ FANTÁSTICO!

 

Vitor Carvalho

 

 

quinta-feira, 17 de junho de 2021

É bom gozarmos do feriado e desfrutarmos das Festas de Santo António…

 


Todos nós já ouvimos falar e já vimos muitas imagens de Santo António, que como se devem recordar, se carateriza essencialmente por se apresentar vestido de frade e com o menino jesus ao colo.

 O que todos sabem - Nasceu em Lisboa, foi frade Franciscano e morreu em Pádua.

O que só alguns sabem - Chamava-se Fernando Martins de Bulhões e tornou-se num dos grandes Santos da Igreja...

 Para mim até há bem pouco tempo, sabia que o Santo António era o Santo Padroeiro de Lisboa, mas conhecia-o essencialmente por ser um “Santo casamenteiro” e que até tinha um feriado em Junho que lhe era dedicado. Isto era muito pouco ou praticamente nada face à sua real dimensão...

Lembro-me do meu filho em pequenino andar sempre com uma pequena imagem deste Santo, mesmo nas férias levava-a na mala, colocando-a quase sempre na sua mesinha de cabeceira, sendo muitas vezes até motivo de brincadeira dos amigos que iam de férias connosco. Já mais velho, o Diogo tem feito uma coleção de imagens de Santo António, que hoje até já tem alguma dimensão, cerca de 60 a 70 imagens. Eu achava muito giro, tendo até já adquirido algumas peças para a sua coleção.

Mas francamente, não tinha pensado muito profundamente na sua dimensão universal e da grande importância para tantos homens e tantas mulheres por esse mundo fora.

 Quando recentemente ouvi o meu filho dizer que queria fazer a sua tese de mestrado sobre Santo António, aí percebi que tinha que entender mais, mas muito mais sobre aquele Santo que chamavam de casamenteiro e que até me dava há vários anos um feriado…

 Isso levou-me a ler e a estudar alguma coisa, tentando descobrir e conhecer a sua história e como conseguiu ser tão grande e tão reconhecido por esse mundo fora.

 Foi um homem enorme, nasceu em Lisboa entre 1191 e 1195, oriundo de uma família abastada, cresceu na zona da Sé de Lisboa, onde terá feito os primeiros estudos. Com cerca de 19 anos foi para Coimbra onde se ordenou sacerdote. Diz-se que em Coimbra se resguardava muito numa grande e valiosa biblioteca. Na altura já se lhe notavam grandes dotes de orador e de grande conhecimento.

Igualmente em Coimbra conhece alguns freis Franciscanos e entusiasma-se pelo fervor e radicalidade destes homens.

Depois de algumas peripécias na sua vida, dizem que regressava de Marrocos e por motivo de uma enorme tempestade, vai parar à Sicília onde vem a conhecer e a tornar-se amigo de São Francisco de Asis.

Este grande pregador, protetor de coisas perdidas, de casamentos e dos pobres torna-se no Santo do milagres.

Morre em Pádua em 13 de Junho de 1232, com cerca de 40 anos.

Podia dizer-se muito mais, mas deixo aqui apenas este desafio: - não aproveitem apenas o feriado de 13 de Junho, leiam e descubram mais sobre um dos Santos mais populares da igreja católica. Vão, tal como eu, ficar apaixonados pela sua vida e obras. Esta admiração vai com certeza ultrapassar em muito, não apenas as pessoas que profetizem ou estejam ligadas à religião católica.

 

Vitor Carvalho

Férias em família no Algarve

  Há férias que ficam na memória pelas paisagens, pelos hotéis ou pelos lugares que visitamos, e depois há aquelas que ficam no coração, por...