quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Eu também faço parte destes 170 Anos

Ontem assinalaram-se 170 anos desde que, a 28 de outubro de 1856, partiu de Lisboa (Cais dos Soldados) o primeiro comboio em Portugal. Uma data de enorme significado histórico, que nos transporta às origens de uma extraordinária viagem que, ao longo de quase dois séculos, ligou lugares, aproximou pessoas e marcou gerações. 
Mas, para mim, esta data tem um significado e um valor simbólico muito mais profundo, sendo impossível olhar para esta história sem sentir uma emoção difícil de traduzir em palavras, afinal, não estou apenas perante uma grandiosa história dos caminhos de ferro portugueses, estou também perante uma parte muito importante da minha própria história de vida. 
Já são quase 40 anos de carreira ferroviária, vividos com dedicação, responsabilidade e, acima de tudo, paixão, onde vi partir e chegar inúmeros comboios, cruzei-me com tantas pessoas, acompanhei tantas histórias e vivi momentos que o tempo jamais apagará, tendo construído uma ligação profunda a esta grande família ferroviária. 
Hoje, ao olhar para esta data histórica, penso inevitavelmente em todos aqueles que vieram antes de mim, em tantas gerações de ferroviários que, com o seu trabalho, a sua competência e o seu espírito de missão, ajudaram a construir esta história extraordinária. 
Muitos já partiram, outros continuam entre nós, mas todos deixaram uma marca que merece ser lembrada e honrada. 
Outro motivo de enorme orgulho foi o meu percurso profissional, tendo iniciado a minha carreira ferroviária nos anos 80, na base genuína da circulação ferroviária, na CP, onde no início desse percurso nos anos 80, ter tido o privilégio de dar pessoalmente centenas de partidas a comboios e milhares de avanços e avisos telefónicos às senhoras que guarneciam as Passagens de Nível… 
Cada sinal de partida representava muito mais do que o início de uma viagem, era o cumprimento de uma missão, a confiança de quem partia e a responsabilidade de quem contribuía para que tudo decorresse em segurança. 
Passei também pela Rede Ferroviária Nacional (Refer), que resultou da separação da CP em 1997, culminando nos dias de hoje nas Infraestruturas de Portugal (IP). 
Conheci por dentro o trabalho, as exigências e as responsabilidades de quem está na verdadeira “linha da frente” da circulação ferroviária. 
Foi um percurso construído com muito empenho, dedicação, aprendizagem contínua e anos de experiência, ao longo do qual fui vencendo desafios, assumindo novas responsabilidades e crescendo profissional e pessoalmente. 
Tive, assim, o enorme privilégio e orgulho de percorrer um caminho que me levou desde a base da hierarquia da circulação ferroviária até ao cargo de Diretor desta área, num percurso que me ensinou que, mais importante do que chegar ao topo, é nunca esquecer as nossas origens, valorizar quem caminha ao nosso lado e honrar todos os dias a profissão que escolhemos. Olho para esse percurso com gratidão e orgulho, não apenas pelo lugar a que cheguei, mas sobretudo pelo caminho que percorri, pelas pessoas com quem aprendi e aprendo, pelas equipas que tive a honra de acompanhar e por tudo aquilo que esta profissão me ensinou. 
Passados 170 anos desde a primeira partida a um comboio em Portugal, sinto que também eu faço parte desta história, uma história que começou muito antes de mim e que continuará muito para além de nós. É um privilégio imenso saber que, durante quase quatro décadas, dei e continuo a dar o meu contributo para que os comboios continuem a partir, a chegar e a cumprir a sua missão.
Hoje, mais do que recordar uma data, recordo uma vida dedicada aos caminhos de ferro, uma vida feita de trabalho, responsabilidade, desafios, amizades e tantas emoções que só quem viveu esta realidade por dentro consegue verdadeiramente compreender. Há comboios que nos levam a destinos e, há comboios que, sem darmos por isso, nos levam a uma vida inteira de memórias. 
A minha história está, para sempre, ligada à história dos caminhos de ferro portugueses, e não poderia sentir maior orgulho por isso. 
170 anos de caminho de ferro em Portugal, onde quase 40 anos de uma vida dedicada a esta paixão, numa história que também continua a ser minha, que ainda não terminou e que guardarei sempre no coração.

PS - só publico este artigo hoje porque ontem foi um dia muito triste para os ferroviários, associando-me há dor dos nossos companheiros Espanhóis.

Vitor Carvalho

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Os Homens Também Rezam - Espiritualidade


 Esta quinta-feira, no encontro “Os Homens Também Rezam”, tivemos o privilégio de contar com o nosso amigo, Professor Carlos Carvalho, que nos conduziu numa reflexão sobre a espiritualidade e a caminhada interior de cada homem ao longo da vida.

Foi um momento de partilha, reflexão e crescimento, que nos recordou que todos somos peregrinos no tempo, num caminho feito de experiências, encontros, dúvidas, fé e procura de sentido.

À palestra seguiu-se um tempo de silêncio e recolhimento e, depois, um momento de oração.

Terminámos já num registo mais descontraído, brindando como habitualmente com moscatel e partilhando algumas canções.

Ao nosso amigo Carlos Carvalho, o nosso sincero agradecimento pela disponibilidade, pela amizade e, sobretudo, pelas reflexões que conosco partilhou e que certamente levaremos para o nosso caminho.

Homem que reza não caminha sozinho. 🙏

Vitor Carvalho

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Sevilha, a cidade, onde a fé também é intensa…

       Como tenho a minha filha mais nova a viver em Sevilha, ao abrigo do programa universitário Erasmus, agora vou visitando esta cidade várias vezes e com olhos um pouco diferentes do passado, em que fui apenas fixado na festa…

Encontrei nestas últimas visitas a Sevilha, uma parte da cidade que já conhecia, uma cidade fantástica, intensa, bonita, cheia de história, de sons, de sol e de lugares emblemáticos, mas agora encontrei também uma outra Sevilha, essa não conhecia, é mais silenciosa e recolhida, que se revela particularmente quando se entra numa porta, das inúmeras e lindas igrejas desta cidade.

Foi, talvez, aí que a cidade mais me surpreendeu.


Entre ruas movimentadas, praças cheias de vida e edifícios que fazem parte do imaginário de qualquer um, fui entrando em várias igrejas e em cada uma delas havia uma presença que se repetia de forma quase inevitável, Nossa Senhora.

A devoção mariana em Sevilha sente-se, não é apenas uma imagem colocada num altar ou uma figura entre tantas outras, é uma presença profundamente integrada na identidade religiosa e cultural da cidade. Nos altares, nas capelas, nas imagens colocadas nos edifícios, no próprio rosto das imagens e no cuidado com que cada espaço é preservado, percebe-se que existe uma fé que atravessou gerações.

Há algo de particularmente especial nestes locais.



Depois do ruído das ruas, dos bons petiscos, das praças e edifícios lindíssimos e da animação própria de Sevilha, entrar numa igreja é como atravessar uma fronteira invisível. A luz muda, os sons diminuem, o olhar demora-se nos detalhes e, quase sempre, lá está Nossa Senhora, recebendo quem entra.

Algumas imagens impressionam pela riqueza dos mantos e das coroas, outras pela expressão serena, outras pelo olhar de Nossa Senhora, todas parecem contar uma história. Uma história de fé, de promessas, de agradecimentos e, talvez, também de pedidos feitos em silêncio.

É impossível visitar Sevilha sem sentir a força desta dimensão religiosa, onde a cidade possui uma ligação muito particular à Igreja e às suas tradições, e isso manifesta-se não apenas nos grandes monumentos, mas também nos pequenos detalhes que vamos descobrindo quase por acaso.

Tudo em Sevilha parece ter uma intensidade própria, a fé é intensa, a arte é intensa, a música é intensa e a festa também é intensa.

As fotografias que acompanham este texto mostram apenas uma pequena parte do que encontrei. Em especial, são reflexos dos interiores de algumas das igrejas visitadas, dos seus altares, das suas imagens e, em particular, dessa presença mariana que tantas vezes me fez parar e olhar demoradamente.

Agora, naturalmente, não podia falar de Sevilha sem falar da sua ligação aos toiros e ao flamengo. A tradição tauromáquica faz parte da história e da cultura da cidade, e a Real Maestranza, é assim que se chama essa enorme praça de toiros, é um dos seus lugares mais emblemáticos e não pode deixar de ser visitado.

Sevilha ficou-me assim na memória…


Vitor Carvalho

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Voltar às rotinas...

 As férias e as festas terminaram, a rotina regressa.

O trabalho, as responsabilidades, a família, as atividades, os compromissos, as preocupações… Tudo aquilo que, há uns tempos, talvez me parecesse demasiado, hoje, olho para tudo isso de uma maneira completamente diferente.

Depois de um período particularmente difícil, em que estive internado e alguns desses dias foram passados nos cuidados intensivos, voltar às rotinas ganhou um significado imenso para mim.

Voltar a levantar-me para ir trabalhar, voltar a ter horários, voltar aos compromissos, voltar às “chatices do dia a dia”, voltar às atividades, voltar a encontrar pessoas, voltar a fazer desporto, voltar a ter coisas para fazer e lugares onde estar, coisas tão simples e tão normais, é mesmo muito bom.

Quando a saúde nos obriga a parar, percebemos que aquilo que tantas vezes chamávamos de “rotina” era, afinal, um privilégio.

Confesso que antes não lhe dava grande valor, por vezes, até me deixava stressado e cansado de ter tantas coisas para fazer.



Pensava: “Outra vez o trabalho… outra vez os horários… outra vez isto, outra vez aquilo…”

Hoje, dou por mim a agradecer por essas mesmas coisas, porque voltar à rotina significa, para mim, voltar à vida.

Significa ter saúde suficiente para trabalhar, ter forças para cumprir compromissos, ter pessoas à minha volta, ter planos para amanhã, ter uma vida que quero viver e aproveitar.

Talvez seja esse um dos maiores ensinamentos que esta experiência me trouxe, e que gostava de partilhar com os meus amigos.

há coisas que só aprendemos a valorizar quando temos medo de as perder.

Hoje, quando o despertador toca, tento não pensar apenas que “é segunda-feira” ou que “já tenho de ir trabalhar”.

Penso, que bom poder levantar-me, que bom poder trabalhar, que bom ter uma família, que bom ter responsabilidades, que bom poder voltar à minha vida, que bom ter rotinas.

A rotina que antes me cansava, hoje conforta-me.

Porque, depois de estar num lugar onde cada dia podia trazer uma notícia diferente, ter um dia normal passou a ser uma bênção.

Por isso, se hoje estás a reclamar da rotina, talvez valha a pena parar por um instante e olhar para ela de outra maneira.

Talvez aquilo que te parece pesado seja, afinal, uma coisa preciosa. Hoje tento refletir sempre dessa maneira, nem todos os dias precisam de ser extraordinários.

Às vezes, a maior bênção é simplesmente poder viver um dia normal.

E hoje, para mim, voltar à ROTINA é isso, é ter um dia normal, sendo um privilégio, uma bênção e uma enorme alegria….

 

 Vitor Carvalho

 

domingo, 30 de agosto de 2026

Seis meses de distância, um mundo de novas descobertas

 


Hoje está a ser um dia emocionalmente difícil cá em casa. Para mim, para a Miducha e, acredito, também para a Teresinha, embora ela enfrente esta nova etapa com a independência e determinação que sempre a caracterizaram.

A nossa Teresinha partiu hoje para uma aventura que será, certamente, inesquecível, vai passar os próximos seis meses em Sevilha, ao abrigo do programa Erasmus.

Seis meses podem parecer pouco tempo quando os colocamos numa perspetiva racional. afinal, Sevilha não fica assim tão longe. Vivemos numa época em que uma chamada de vídeo encurta distâncias e em que uma viagem de carro de 4 horas pode-nos levar rapidamente ao outro lado da Península. Mas, quando alguém que tão próximo, que sempre viveu connosco deixa de fazer parte do nosso quotidiano, a distância mede-se de outra forma. Mede-se nas pequenas rotinas que desaparecem, nas conversas espontâneas, nas refeições partilhadas, nos bons-dias e nos até-logo. E é aí que percebemos que seis meses podem parecer uma eternidade.

Hoje fui levá-la ao autocarro, no Parque das Nações. Acompanhei-a naquele momento que, sendo aparentemente simples, carregava uma enorme carga emocional, a despedida, as malas, os últimos abraços, as últimas recomendações, como se algumas palavras pudessem proteger ainda mais quem parte.

No caminho de regresso a casa, confesso que não consegui esconder a emoção, chorei um bocadinho, mas recompus-me, não podia chegar a casa assim. Talvez porque, naquele momento, a realidade se tornou mais concreta, a minha filha ia iniciar uma nova etapa da sua vida e, durante algum tempo, deixaria de estar connosco diariamente.

E é curioso como a vida dos filhos nos coloca perante este paradoxo tão bonito e tão difícil, queremos que cresçam, que ganhem asas, que sejam independentes, confiantes e capazes de conquistar o seu próprio caminho, mas quando chega o momento de os ver partir, mesmo sabendo que é exatamente isso que desejámos para eles, o coração de pai parece nunca estar completamente preparado.

A Teresinha vai para uma cidade extraordinária. Sevilha, com o seu encanto natural, a sua luz, a sua história, as suas ruas cheias de vida e aquele ambiente tipicamente andaluz que conquista quem por lá passa. Uma cidade bonita, intensa e acolhedora, que certamente lhe proporcionará experiências que ficarão para sempre na sua memória.

Vai estudar na Universidade Loyola, uma instituição jesuíta de grande prestígio e reconhecida no meio académico, onde naturalmente, esperamos que esta experiência seja uma importante valorização do seu percurso académico, mas desejamos que seja muito mais do que isso.

Esperamos que estes seis meses sejam também um tempo de descoberta, de crescimento pessoal e de aprendizagem sobre o mundo e sobre si própria. Que conheça pessoas diferentes, culturas diferentes, formas diferentes de pensar, que viaje, que se surpreenda, que saia da sua zona de conforto e que aprenda a resolver, por si mesma, os pequenos e grandes desafios que a vida lhe colocar.

Porque o Erasmus não se faz apenas nas salas de aula, faz-se nas conversas até tarde, nas amizades improváveis, nas ruas desconhecidas que um dia passam a ser familiares, nas saudades de casa e na descoberta de que somos capazes de muito mais do que imaginávamos.

Embora a Teresinha seja uma jovem muito independente, e isso tranquiliza-nos, sabemos que não será exatamente a mesma coisa. Ela vai partilhar apartamento com uma amiga, numa zona castiça e típica de Sevilha, e certamente construirá por lá uma nova rotina, uma pequena casa longe de casa.

E nós teremos de aprender também, com mais esta saída. Já saíram o Diogo e a Marta.

Aprender a lidar com a cadeira vazia à mesa, com o quarto mais silencioso, com a ausência de uma presença que sempre tomámos como garantida. Teremos de nos habituar à ideia de que os filhos crescem e que, um dia, começam a construir o seu mundo para além das paredes da nossa casa.

Mas, no meio desta saudade que já se instalou, há também um sentimento bonito de admiração e de serenidade.

É impossível não olhar para a mulher em que a Teresinha se está a transformar e sentir uma enorme ternura, pela coragem com que abraça novos desafios, pela independência pessoal e pela naturalidade com que se atreve a sair da sua zona de conforto. Crescer é também isto, ganhar asas, descobrir novos caminhos e partir à procura daquilo que a vida ainda tem para nos ensinar.

É talvez uma das maiores emoções de quem é pai seja precisamente assistir, mesmo de coração apertado, a esse maravilhoso processo de transformação.

Mas acredito que gostar também é isto, saber abrir as mãos quando o coração gostaria de apertar ainda mais forte, dar liberdade, mesmo quando a saudade já aperta, ficar feliz pelo voo de quem criámos, mesmo quando sentimos o silêncio que fica depois da partida.

Sevilha recebe hoje a nossa Teresinha.

E nós, aqui em casa, ficamos com um misto de saudade, orgulho, emoção e esperança. Esperança de que estes seis meses sejam felizes, seguros, intensos e inesquecíveis e que ela aproveite cada momento, que cresça, que aprenda e que regresse ainda mais rica por dentro, não apenas pelos conhecimentos académicos que certamente adquirirá, mas pelas experiências humanas que levará consigo para toda a vida. Nós, se Deus quiser, estaremos sempre aqui a torcer por ela, a acompanhar cada novidade, cada fotografia, cada história e cada pequena conquista.

Porque, no fundo, a distância nunca diminui verdadeiramente aquilo que nos une.

Boa viagem, minha querida Teresinha, que Sevilha te receba de braços abertos e que a vida te ofereça, nestes próximos seis meses, memórias que guardarás para sempre.

Nós ficamos por cá.

Com saudades, sim.

Mas, acima de tudo, com o coração cheio. ❤️

 Papá

sábado, 15 de agosto de 2026

Férias em família no Algarve

 







Há férias que ficam na memória pelas paisagens, pelos hotéis ou pelos lugares que visitamos, e depois há aquelas que ficam no coração, porque foram vividas em família. 

As nossas férias no Algarve foram assim, intensas, cheias de vida, de risos, de praia, de piscina, de grandes jantaradas e, sobretudo, de momentos que vamos guardar com carinho.

O Diogo esteve conosco cinco dias, o que tornou tudo ainda mais especial. Estiveram também os meus netos, a Teresinha, a Marta e o António, e tivemos ainda a companhia dos pais do António, a Maria João e o avô António. Uma verdadeira reunião de família, daquelas em que há sempre alguém a falar, alguém a rir, crianças a correr e uma mesa que parece nunca ter comida suficiente.

E que dizer dos meus netos, o António e a Amparinho?

São uns meninos lindos e portam-se muito bem. Bem… quase sempre! Porque, naturalmente, também houve algumas pequenas aventuras e asneiras, que são precisamente aquelas que acabam por dar as melhores histórias.

Uma delas aconteceu com o meu telemóvel. Um deles fez uma asneira e eu, fazendo aquela cara de avô muito aborrecido, mas sempre a brincar, perguntei:

— Quem fez isto?

A Amparinho, muito pronta, respondeu imediatamente:

— Foi o Paquito!

O Paquito é o nosso cãozinho e, aparentemente, tinha acabado de se tornar o principal suspeito.

Mas o António, muito esperto, não deixou passar:

— Não foi! Ele não tem mãos. Foi a Amparo!

E pronto. Caso encerrado. O Paquito ficou ilibado, e a Amparinho percebeu que tinha encontrado um mano que não a deixava mentir😃.

Os dias foram passados entre a piscina e a praia, normalmente todos juntos. Houve mergulhos, brincadeiras, areia, calor e aquela confusão boa que só acontece quando uma família inteira se junta de férias. E, claro, houve boas jantaradas, longas conversas, passeios no areal da praia, e muitos momentos à mesa, onde se prolongavam os dias e se partilhavam as histórias.

Foram dias muito intensos, mas também muito divertidos.

Eu próprio aproveitei para correr todos os dias. Alguns dias de manhã e outra vez à tarde. Duas vezes no mesmo dia! Um verdadeiro maluco. Mas soube-me muito bem. Sentia-me com energia, vontade de mexer, de aproveitar e de viver cada momento. E talvez por isso essas corridas tenham tido um significado especial.

Depois dos dias difíceis que passei internado em junho, particularmente durante o período em que estive nos cuidados intensivos, voltar a sentir-me assim, correr, estar na praia, brincar com os netos, conviver com a família e simplesmente desfrutar da vida teve um sabor muito especial.

O Algarve foi, por isso, muito mais do que umas férias, foi uma espécie de reencontro com a vida, com a família e comigo próprio.

Ficam as fotografias, as conversas, as gargalhadas, os passeios, as jantaradas, os mergulhos, as corridas e, sobretudo, ficam as memórias.

E ficam também o António e a Amparinho, com as suas brincadeiras e respostas inesperadas, a lembrar-nos que a vida em família é feita destas pequenas histórias que, anos mais tarde, continuaremos a contar e a rir.

Foram dias intensos e por vezes cansativos, mas foram dias muito divertidos.

E foram, acima de tudo, dias muito felizes em família.

 

Vitor Carvalho

Uma coincidência incrível, um reencontro na mesma praia, um ano depois


Que coincidência… 😁

Voltei a encontrar, na praia, o escritor António Pedro Moreira, como habitualmente, a vender os seus livros. Durante os meses de julho e agosto, o Pedro percorre grande parte das praias algarvias, levando consigo as histórias das suas viagens e aventuras.

No ano passado, já lhe tinha comprado “Chama”, o livro que relata a sua extraordinária viagem de Luanda a Maputo, de bicicleta, cerca de 4000 quilómetros percorridos em apenas 40 dias.

 Quando me reconheceu, perguntou-me, divertido:

- «O senhor não usava um chapéu?» 😁

Este ano, não resisti a conhecer mais uma das suas aventuras e trouxe comigo “Do Panamá ao México à boleia”.

António Pedro Moreira é, sem dúvida, um escritor aventureiro, daqueles que transformam viagens, desafios e experiências em histórias que nos fazem viajar também, mesmo sem sairmos do lugar.

Mas o mais curioso deste reencontro estava ainda por descobrir, ou melhor dizendo, por confirmar. Sem que nenhum de nós o tivesse planeado, voltámos a encontrar-nos na mesma praia e, surpreendentemente, no mesmo dia. E há ainda um detalhe que torna esta coincidência mais incrível, aquela praia era apenas a segunda vez que a visitava em toda a minha vida.

Encontrámo-nos exatamente na mesma praia e, precisamente, no mesmo dia,14 de agosto.

Um ano inteiro passou e, sem qualquer combinação, voltámos a cruzar-nos no mesmo lugar e na mesma data. Incrível!

Talvez sejam apenas coincidências… ou talvez algumas histórias tenham mesmo vontade de continuar.

Foi, mais uma vez, um enorme prazer reencontrar o Pedro, entre livros, memórias e novas aventuras.

Agora é levar “Do Panamá ao México à boleia” para casa e começar mais uma viagem, desta vez, através das páginas de um livro.

Vitor Carvalho

Eu também faço parte destes 170 Anos

Ontem assinalaram-se 170 anos desde que, a 28 de outubro de 1856, partiu de Lisboa (Cais dos Soldados) o primeiro comboio em Portugal. Uma...