Em pleno inverno, este ano particularmente rigoroso, iniciei, com um grupo da Moita, uma viagem fantástica a Cracóvia e Varsóvia.
À chegada a
Cracóvia, fomos imediatamente envolvidos por um ambiente mágico. A neve
abundante, algo pouco habitual para nós, portugueses, cobria a cidade
histórica, com os seus edifícios coloridos, ruas empedradas, a praça medieval, jardins
totalmente brancos e um castelo encantador com uma vista magnífica sobre o rio
Vístula. Tudo parecia saído de um postal ilustrado.
Visitei
igrejas lindíssimas, onde a devoção e o catolicismo se manifestam de forma
profundamente enraizada na população. Sentia-se uma fé viva, presente em cada
pessoa que por ali passava.
Passeámos e
jantámos no típico bairro judeu, onde escutei histórias marcantes sobre o
extermínio do povo judeu, que também ali deixou cicatrizes profundas. Ao
jantar, provei pratos típicos judaicos e bebi um belo vinho de origem judaica,
muito bom, surpreendentemente semelhante aos nossos vinhos portugueses.
Vivi também
um dos dias mais intensos emocionalmente ao visitar Auschwitz e Birkenau.
Lugares de silêncio, de dor e de profunda reflexão sobre as atrocidades
cometidas. Saí com um sentimento de respeito e memória difícil de traduzir em
palavras. Fiquei completamente em silêncio e pasmado com tanto horror
praticado. Deixo um conselho, visitem estes campos de concentração. É uma
experiência que marca para sempre.
Visitei ainda a casa onde viveu São João Paulo II e a igreja onde foi batizado. A casa está hoje transformada num museu extraordinário, que nos permite conhecer melhor a vida e o percurso de uma das figuras mais marcantes da Igreja Católica.
No Santuário de São João Paulo II vi a batina que João Paulo II usava quando sofreu o atentado na Praça de S. Pedro em 13 de Maio de 1981, com os sinais do tiro e as manchas de sangue.
Fomos também às famosas Minas de Sal, onde os mineiros polacos construíram autênticas
obras de arte. Trata-se de um local Património da Humanidade da UNESCO.
Importa
recordar que Cracóvia não foi destruída pelos ataques alemães, conservando
assim grande parte da sua traça original anterior à guerra. Tive ainda a
oportunidade de assistir a um nevão intenso que transformou ainda mais a cidade
num cenário verdadeiramente mágico.
Seguimos
depois para Varsóvia, a grande capital da Polónia, completamente reconstruída
no pós-guerra. A cidade foi praticamente destruída pelos bombardeamentos
alemães, mas renasceu com a determinação que se reconhece a este povo. Hoje
apresenta duas faces distintas, por um lado, uma cidade moderna, com
arranha-céus e edifícios imponentes que fazem lembrar os grandes centros
financeiros europeus, por outro, a cidade velha, meticulosamente reconstruída,
onde impressiona o detalhe e o rigor histórico com que tudo foi recuperado.
Numa das noites, jantámos num restaurante muito
típico, onde a refeição foi animada por danças e cantares tradicionais polacos.
Alguns de nós ainda se aventuraram a participar em pequenos jogos e danças
típicas, proporcionando momentos de grande diversão e boa disposição. Foi um
serão verdadeiramente alegre, que nos permitiu contactar de forma mais próxima
com a cultura e as tradições locais. Foi especialmente divertido.
Fiquei
particularmente impressionado com o imponente símbolo deixado pelos soviéticos,
hoje o palácio da cultura e ciência, grandioso na sua arquitetura, mas
profundamente controverso para os polacos, que guardam memórias pouco
simpáticas, também desse período da sua história, entre 1944 e 1989.
Deixou-me
também impressionado a resiliência deste povo, que tendo vivido mais de 100
anos sem pátria, a Polónia esteve dividida por três países, conservou a sua
identidade, costumes, tradições e em especial a sua língua.
Foi, sem
dúvida, uma viagem marcante, rica em história, fé, memória e magia.
Vitor Carvalho









