domingo, 30 de agosto de 2026

Seis meses de distância, um mundo de novas descobertas

 


Hoje está a ser um dia emocionalmente difícil cá em casa. Para mim, para a Miducha e, acredito, também para a Teresinha, embora ela enfrente esta nova etapa com a independência e determinação que sempre a caracterizaram.

A nossa Teresinha partiu hoje para uma aventura que será, certamente, inesquecível, vai passar os próximos seis meses em Sevilha, ao abrigo do programa Erasmus.

Seis meses podem parecer pouco tempo quando os colocamos numa perspetiva racional. afinal, Sevilha não fica assim tão longe. Vivemos numa época em que uma chamada de vídeo encurta distâncias e em que uma viagem de carro de 4 horas pode-nos levar rapidamente ao outro lado da Península. Mas, quando alguém que tão próximo, que sempre viveu connosco deixa de fazer parte do nosso quotidiano, a distância mede-se de outra forma. Mede-se nas pequenas rotinas que desaparecem, nas conversas espontâneas, nas refeições partilhadas, nos bons-dias e nos até-logo. E é aí que percebemos que seis meses podem parecer uma eternidade.

Hoje fui levá-la ao autocarro, no Parque das Nações. Acompanhei-a naquele momento que, sendo aparentemente simples, carregava uma enorme carga emocional, a despedida, as malas, os últimos abraços, as últimas recomendações, como se algumas palavras pudessem proteger ainda mais quem parte.

No caminho de regresso a casa, confesso que não consegui esconder a emoção, chorei um bocadinho, mas recompus-me, não podia chegar a casa assim. Talvez porque, naquele momento, a realidade se tornou mais concreta, a minha filha ia iniciar uma nova etapa da sua vida e, durante algum tempo, deixaria de estar connosco diariamente.

E é curioso como a vida dos filhos nos coloca perante este paradoxo tão bonito e tão difícil, queremos que cresçam, que ganhem asas, que sejam independentes, confiantes e capazes de conquistar o seu próprio caminho, mas quando chega o momento de os ver partir, mesmo sabendo que é exatamente isso que desejámos para eles, o coração de pai parece nunca estar completamente preparado.

A Teresinha vai para uma cidade extraordinária. Sevilha, com o seu encanto natural, a sua luz, a sua história, as suas ruas cheias de vida e aquele ambiente tipicamente andaluz que conquista quem por lá passa. Uma cidade bonita, intensa e acolhedora, que certamente lhe proporcionará experiências que ficarão para sempre na sua memória.

Vai estudar na Universidade Loyola, uma instituição jesuíta de grande prestígio e reconhecida no meio académico, onde naturalmente, esperamos que esta experiência seja uma importante valorização do seu percurso académico, mas desejamos que seja muito mais do que isso.

Esperamos que estes seis meses sejam também um tempo de descoberta, de crescimento pessoal e de aprendizagem sobre o mundo e sobre si própria. Que conheça pessoas diferentes, culturas diferentes, formas diferentes de pensar, que viaje, que se surpreenda, que saia da sua zona de conforto e que aprenda a resolver, por si mesma, os pequenos e grandes desafios que a vida lhe colocar.

Porque o Erasmus não se faz apenas nas salas de aula, faz-se nas conversas até tarde, nas amizades improváveis, nas ruas desconhecidas que um dia passam a ser familiares, nas saudades de casa e na descoberta de que somos capazes de muito mais do que imaginávamos.

Embora a Teresinha seja uma jovem muito independente, e isso tranquiliza-nos, sabemos que não será exatamente a mesma coisa. Ela vai partilhar apartamento com uma amiga, numa zona castiça e típica de Sevilha, e certamente construirá por lá uma nova rotina, uma pequena casa longe de casa.

E nós teremos de aprender também, com mais esta saída. Já saíram o Diogo e a Marta.

Aprender a lidar com a cadeira vazia à mesa, com o quarto mais silencioso, com a ausência de uma presença que sempre tomámos como garantida. Teremos de nos habituar à ideia de que os filhos crescem e que, um dia, começam a construir o seu mundo para além das paredes da nossa casa.

Mas, no meio desta saudade que já se instalou, há também um sentimento bonito de admiração e de serenidade.

É impossível não olhar para a mulher em que a Teresinha se está a transformar e sentir uma enorme ternura, pela coragem com que abraça novos desafios, pela independência pessoal e pela naturalidade com que se atreve a sair da sua zona de conforto. Crescer é também isto, ganhar asas, descobrir novos caminhos e partir à procura daquilo que a vida ainda tem para nos ensinar.

É talvez uma das maiores emoções de quem é pai seja precisamente assistir, mesmo de coração apertado, a esse maravilhoso processo de transformação.

Mas acredito que gostar também é isto, saber abrir as mãos quando o coração gostaria de apertar ainda mais forte, dar liberdade, mesmo quando a saudade já aperta, ficar feliz pelo voo de quem criámos, mesmo quando sentimos o silêncio que fica depois da partida.

Sevilha recebe hoje a nossa Teresinha.

E nós, aqui em casa, ficamos com um misto de saudade, orgulho, emoção e esperança. Esperança de que estes seis meses sejam felizes, seguros, intensos e inesquecíveis e que ela aproveite cada momento, que cresça, que aprenda e que regresse ainda mais rica por dentro, não apenas pelos conhecimentos académicos que certamente adquirirá, mas pelas experiências humanas que levará consigo para toda a vida. Nós, se Deus quiser, estaremos sempre aqui a torcer por ela, a acompanhar cada novidade, cada fotografia, cada história e cada pequena conquista.

Porque, no fundo, a distância nunca diminui verdadeiramente aquilo que nos une.

Boa viagem, minha querida Teresinha, que Sevilha te receba de braços abertos e que a vida te ofereça, nestes próximos seis meses, memórias que guardarás para sempre.

Nós ficamos por cá.

Com saudades, sim.

Mas, acima de tudo, com o coração cheio. ❤️

 Papá

sábado, 15 de agosto de 2026

Férias em família no Algarve

 







Há férias que ficam na memória pelas paisagens, pelos hotéis ou pelos lugares que visitamos, e depois há aquelas que ficam no coração, porque foram vividas em família. 

As nossas férias no Algarve foram assim, intensas, cheias de vida, de risos, de praia, de piscina, de grandes jantaradas e, sobretudo, de momentos que vamos guardar com carinho.

O Diogo esteve conosco cinco dias, o que tornou tudo ainda mais especial. Estiveram também os meus netos, a Teresinha, a Marta e o António, e tivemos ainda a companhia dos pais do António, a Maria João e o avô António. Uma verdadeira reunião de família, daquelas em que há sempre alguém a falar, alguém a rir, crianças a correr e uma mesa que parece nunca ter comida suficiente.

E que dizer dos meus netos, o António e a Amparinho?

São uns meninos lindos e portam-se muito bem. Bem… quase sempre! Porque, naturalmente, também houve algumas pequenas aventuras e asneiras, que são precisamente aquelas que acabam por dar as melhores histórias.

Uma delas aconteceu com o meu telemóvel. Um deles fez uma asneira e eu, fazendo aquela cara de avô muito aborrecido, mas sempre a brincar, perguntei:

— Quem fez isto?

A Amparinho, muito pronta, respondeu imediatamente:

— Foi o Paquito!

O Paquito é o nosso cãozinho e, aparentemente, tinha acabado de se tornar o principal suspeito.

Mas o António, muito esperto, não deixou passar:

— Não foi! Ele não tem mãos. Foi a Amparo!

E pronto. Caso encerrado. O Paquito ficou ilibado, e a Amparinho percebeu que tinha encontrado um mano que não a deixava mentir😃.

Os dias foram passados entre a piscina e a praia, normalmente todos juntos. Houve mergulhos, brincadeiras, areia, calor e aquela confusão boa que só acontece quando uma família inteira se junta de férias. E, claro, houve boas jantaradas, longas conversas, passeios no areal da praia, e muitos momentos à mesa, onde se prolongavam os dias e se partilhavam as histórias.

Foram dias muito intensos, mas também muito divertidos.

Eu próprio aproveitei para correr todos os dias. Alguns dias de manhã e outra vez à tarde. Duas vezes no mesmo dia! Um verdadeiro maluco. Mas soube-me muito bem. Sentia-me com energia, vontade de mexer, de aproveitar e de viver cada momento. E talvez por isso essas corridas tenham tido um significado especial.

Depois dos dias difíceis que passei internado em junho, particularmente durante o período em que estive nos cuidados intensivos, voltar a sentir-me assim, correr, estar na praia, brincar com os netos, conviver com a família e simplesmente desfrutar da vida teve um sabor muito especial.

O Algarve foi, por isso, muito mais do que umas férias, foi uma espécie de reencontro com a vida, com a família e comigo próprio.

Ficam as fotografias, as conversas, as gargalhadas, os passeios, as jantaradas, os mergulhos, as corridas e, sobretudo, ficam as memórias.

E ficam também o António e a Amparinho, com as suas brincadeiras e respostas inesperadas, a lembrar-nos que a vida em família é feita destas pequenas histórias que, anos mais tarde, continuaremos a contar e a rir.

Foram dias intensos e por vezes cansativos, mas foram dias muito divertidos.

E foram, acima de tudo, dias muito felizes em família.

 

Vitor Carvalho

Uma coincidência incrível, um reencontro na mesma praia, um ano depois


Que coincidência… 😁

Voltei a encontrar, na praia, o escritor António Pedro Moreira, como habitualmente, a vender os seus livros. Durante os meses de julho e agosto, o Pedro percorre grande parte das praias algarvias, levando consigo as histórias das suas viagens e aventuras.

No ano passado, já lhe tinha comprado “Chama”, o livro que relata a sua extraordinária viagem de Luanda a Maputo, de bicicleta, cerca de 4000 quilómetros percorridos em apenas 40 dias.

 Quando me reconheceu, perguntou-me, divertido:

- «O senhor não usava um chapéu?» 😁

Este ano, não resisti a conhecer mais uma das suas aventuras e trouxe comigo “Do Panamá ao México à boleia”.

António Pedro Moreira é, sem dúvida, um escritor aventureiro, daqueles que transformam viagens, desafios e experiências em histórias que nos fazem viajar também, mesmo sem sairmos do lugar.

Mas o mais curioso deste reencontro estava ainda por descobrir, ou melhor dizendo, por confirmar. Sem que nenhum de nós o tivesse planeado, voltámos a encontrar-nos na mesma praia e, surpreendentemente, no mesmo dia. E há ainda um detalhe que torna esta coincidência mais incrível, aquela praia era apenas a segunda vez que a visitava em toda a minha vida.

Encontrámo-nos exatamente na mesma praia e, precisamente, no mesmo dia,14 de agosto.

Um ano inteiro passou e, sem qualquer combinação, voltámos a cruzar-nos no mesmo lugar e na mesma data. Incrível!

Talvez sejam apenas coincidências… ou talvez algumas histórias tenham mesmo vontade de continuar.

Foi, mais uma vez, um enorme prazer reencontrar o Pedro, entre livros, memórias e novas aventuras.

Agora é levar “Do Panamá ao México à boleia” para casa e começar mais uma viagem, desta vez, através das páginas de um livro.

Vitor Carvalho

Seis meses de distância, um mundo de novas descobertas

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