Há férias que ficam na memória pelas paisagens, pelos hotéis ou pelos lugares que visitamos. E depois há aquelas que ficam no coração, porque foram vividas em família.
As nossas férias no Algarve foram assim, intensas,
cheias de vida, de risos, de praia, de piscina, de grandes jantaradas e,
sobretudo, de momentos que vamos guardar com carinho.
O Diogo esteve conosco cinco dias, o que tornou tudo ainda
mais especial. Estiveram também os meus netos, a Teresinha, a Marta e o
António, e tivemos ainda a companhia dos pais do António, a Maria João e o avô António. Uma verdadeira reunião de família, daquelas em que há sempre
alguém a falar, alguém a rir, crianças a correr e uma mesa que parece nunca ter
comida suficiente.
E que dizer dos meus netos, o António e a Amparinho?
São uns meninos lindos e portam-se muito bem. Bem… quase
sempre! Porque, naturalmente, também houve algumas pequenas aventuras e
asneiras, que são precisamente aquelas que acabam por dar as melhores
histórias.
Uma delas aconteceu com o meu telemóvel. Um deles fez uma
asneira e eu, fazendo aquela cara de avô muito aborrecido, mas sempre a
brincar, perguntei:
— Quem fez isto?
A Amparinho, muito pronta, respondeu imediatamente:
— Foi o Paquito!
O Paquito é o nosso cãozinho e, aparentemente, tinha acabado
de se tornar o principal suspeito.
Mas o António, muito esperto, não deixou passar:
— Não foi! Ele não tem mãos. Foi a Amparo!
E pronto. Caso encerrado. O Paquito ficou ilibado, e a
Amparinho percebeu que tinha encontrado um mano que não a deixava mentir😃.
Os dias foram passados entre a piscina e a praia, normalmente todos juntos. Houve mergulhos, brincadeiras, areia, calor e aquela confusão boa que só acontece quando uma família inteira se junta de férias. E, claro, houve boas jantaradas, longas conversas e muitos momentos à mesa, onde se prolongavam os dias e se partilhavam as histórias.
Foram dias muito intensos, mas também muito divertidos.
Eu próprio aproveitei para correr todos os dias. Alguns dias
de manhã e outra vez à tarde. Duas vezes no mesmo dia! Um verdadeiro maluco.
Mas soube-me muito bem. Sentia-me com energia, vontade de mexer, de aproveitar
e de viver cada momento. E talvez por isso essas corridas tenham tido um
significado especial.
Depois dos dias difíceis que passei internado em junho,
particularmente durante o período em que estive nos cuidados intensivos, voltar
a sentir-me assim, correr, estar na praia, brincar com os netos, conviver com a
família e simplesmente desfrutar da vida teve um sabor muito especial.
O Algarve foi, por isso, muito mais do que umas férias. Foi uma espécie de reencontro com a vida, com a família e comigo próprio.
Ficam as fotografias, as conversas, as gargalhadas, as
jantaradas, os mergulhos, as corridas e, sobretudo, ficam as memórias.
E ficam também o António e a Amparinho, com as suas
brincadeiras e respostas inesperadas, a lembrar-nos que a vida em família é
feita destas pequenas histórias que, anos mais tarde, continuaremos a contar e
a rir.
Foram dias intensos e por vezes cansativos, mas foram dias muito
divertidos.
E foram, acima de tudo, dias muito felizes em família.
Vitor Carvalho




